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Portugal
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Faz de
conta
Por Margarida Ribeiro*
Percorrer
uma loja de brinquedos dos nossos dias é uma ocupação fascinante para
qualquer adulto. Além das cores, apelativas, quase hipnotizantes, e dos
materiais macios e leves, doces ao tacto, os brinquedos são a
materialização de todas as fantasias que tivemos, as da nossa infância
e as que reinventámos ao projectar-nos num filho que nos cresce nos braços.
Alguém
se deu ao trabalho de visitar os desejos que tivemos no tempo em que as
crianças brincavam ao faz-de-conta e transformou em realidade cada frase
que então dissemos.
Faz
de conta que esta caixa é um carro que anda sozinho, faz de conta que a
minha boneca fala, faz de conta que estes pedaços de madeira empilhados são
um castelo, que esta folha de planta é um prato, que este pauzinho é uma
colher, que este pedaço de cortiça é um barco, que este fio de sementes
é um colar, que este ramo é um avião que voa…
Ocupação
fora de moda, esta de fazer de conta. As crianças de hoje não precisam
de imaginar. Compramos-lhe ex-fantasias, realidades prontas a usar.
Um
dia destes, porém, ouvi vários pais queixar-se do pouquíssimo tempo que
cada um destes brinquedos consegue interessar os filhos. E lamentavam a
disparidade entre os tamanhos da imensa despesa e da felicidade que se lhe
seguia.
Acabou
por ser da boca de uma criança que se ouviu a solução deste aparente
absurdo. Diante das prateleiras vibrantes de um hiper-mercado, meio amuada
pela escolha que lhe estava a ser oferecida, deu-nos a chave do enigma.
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Não, não quero destes, Pai!!! Estes já estão “brincados”…
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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