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Portugal
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Segredos do
tempo
Por Margarida Ribeiro*
Há
um momento, uma idade, em que estamos no ponto perfeito para recolher os
frutos do nosso passado. Como disse Byron, "...the best is yet
to be..."
A
essa altura, a vida refinou-nos o olhar e aprendemos a distinguir
falsas belezas. Afinou-nos o ouvido, e sabemos preferir as vozes que
dizem, para além de falarem. Ensinou-nos o que é sofrimento, e
mostrou-nos a insignificância de certos desapontamentos.
Ajustou-nos
as medidas com que medimos as coisas e fez-nos descobrir a verdadeira
importância das que antes, por pequenas, desprezávamos. Deu-nos calma e
paciência para esperar. Fez-nos até ver o prazer que pode haver em
esperar...
Moldou
em nós uma visão clara do que podemos e sabemos, não lutamos mais
as lutas impossíveis. Criou-nos a certeza de que nada é definitivo, de
modo que aprendemos a não temer desgraças perenes e já não desperdiçamos
felicidades por serem efémeras.
Mostrou-nos
que a Felicidade Completa não existe e levou-nos a entender que a
Felicidade Possível é feita de pequenas felicidades espalhadas no nosso
caminho, quantas vezes tão disfarçadas que só um olhar atento as
reconhece. E deu-nos olhos para as reconhecer. E mãos para as colhermos
mesmo se incompletas, truncadas, com a maravilha de quem recolhe tesouros
inteiros.
Tentamos em cada dia, em
cada gesto, passar aos nossos filhos estas descobertas. Mas inutilmente.
Esta sabedoria é apenas direito de quem a arrancou ao tempo.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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