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Portugal
Online
Tesouros
Por Margarida Ribeiro*

Dizem
alguns estudos recentes que dentro de alguns anos o interior de Portugal
será um lugar despovoado, enquanto as cidades do litoral vão crescer e
arredondar-se em cada vez mais largos círculos de betão habitados em
camadas por novos citadinos engaiolados em prédios de apartamentos.
Quando
as estradas começam a reduzir distâncias e a Internet se propõe
vulgarizar o tele-trabalho, esta previsão parece um contra-senso. Mas a
atracção dos ganhos prometidos e dos prazeres vislumbrados será talvez
um competente engodo.
E
assim viverão os nossos netos.
Horas
infindáveis para ir e voltar entre locais de trabalho, infantários,
escolas, hipermercados e casas. Semáforo após semáforo, intermináveis
filas de trânsito. Estradas entupidas nas fugas de fim-de-semana. Rostos
fechados de cansaço em ruas efervescentes de pressa e de agitação.
Passos apressados e defensivos por entre o medo de uma guerrilha urbana
que só pode vir a aumentar. Portas e janelas de casa trancadas ao ruído
constante e aos olhares fronteiros dos vizinhos.
Longe,
nas serras, o arco-íris ainda há-de apontar os locais dos tesouros. Mas
não serão em Euros. Só tesouros de paz.
E já
pouca gente se contenta com paz, neste século esfomeado de consumo
urgente.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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