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Portugal
Online
De
mulher a pessoa
Por Margarida Ribeiro*
Desde
há algum tempo, uma rádio portuguesa tem promovido um “Forum-mulher”
que, como o nome indica, se destina a ouvir a opinião de mulheres sobre vários
assuntos da actualidade nacional.
À
primeira vista, a existência deste programa faz supor que se trata de uma
exclusividade indispensável a um grupo que de outro modo teria
dificuldade em se fazer ouvir.
Não
é verdade. Nos outros fóruns abertos na rádio ou na televisão, as
mulheres tomam parte activa a par com os homens. Não lhes é precisa já
nenhuma espécie de protecção especial para se manifestarem como cidadãs
empenhadas, capazes de argumentos e de conclusões.
Será
talvez um meio de recolher um olhar feminino sobre o mundo e as coisas.
Falando da impressão geral de quem as ouve naquele recanto de comunicação
que lhes pertence, torna-se nítido que, em comparação com os homens,
tendem menos a politizar as questões, assumem-se mais prontamente como
parte na culpa colectiva do que vai mal, atribuem-se a si mesmas mais
responsabilidades nas mudanças que vão propondo.
Mas
circunscrevem demasiado o seu olhar ao que está próximo e parecem temer
fazer exigências.
É
nas intervenções masculinas que se encontram os olhares mais alargados e
abrangentes na busca de causas e de soluções, assim como as reclamações
mais veementes. Os homens mostram-se também mais agressivos e menos
dispostos a concessões.
São
duas formas de estar que se completam. Qualquer delas, isolada, se torna
ao mesmo tempo insuficiente, pelo que lhe falta, e excessiva, pelo que
exagera.
Talvez
daqui a uns anos, neste caminho para um novo equilíbrio entre os dois
sexos, deixe de se colocar sequer a hipótese de criar fóruns ou “dias
mundiais” para mulheres. Talvez todos os fóruns e todos os dias do ano
passem a ser fóruns e dias para pessoas.
Pessoas,
ponto final.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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