Webjornal - Quinzenal - Edição 44 - Aracaju,  7  a  14   de dezembro  de 2003
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Portugal Online

De mulher a pessoa

Por Margarida Ribeiro*

Desde há algum tempo, uma rádio portuguesa tem promovido um “Forum-mulher” que, como o nome indica, se destina a ouvir a opinião de mulheres sobre vários assuntos da actualidade nacional.

À primeira vista, a existência deste programa faz supor que se trata de uma exclusividade indispensável a um grupo que de outro modo teria dificuldade em se fazer ouvir.

Não é verdade. Nos outros fóruns abertos na rádio ou na televisão, as mulheres tomam parte activa a par com os homens. Não lhes é precisa já nenhuma espécie de protecção especial para se manifestarem como cidadãs empenhadas, capazes de argumentos e de conclusões.

Será talvez um meio de recolher um olhar feminino sobre o mundo e as coisas. Falando da impressão geral de quem as ouve naquele recanto de comunicação que lhes pertence, torna-se nítido que, em comparação com os homens, tendem menos a politizar as questões, assumem-se mais prontamente como parte na culpa colectiva do que vai mal, atribuem-se a si mesmas mais responsabilidades nas mudanças que vão propondo.

Mas circunscrevem demasiado o seu olhar ao que está próximo e parecem temer fazer exigências.

É nas intervenções masculinas que se encontram os olhares mais alargados e abrangentes na busca de causas e de soluções, assim como as reclamações mais veementes. Os homens mostram-se também mais agressivos e menos dispostos a concessões.

São duas formas de estar que se completam. Qualquer delas, isolada, se torna ao mesmo tempo insuficiente, pelo que lhe falta, e excessiva, pelo que exagera. 

Talvez daqui a uns anos, neste caminho para um novo equilíbrio entre os dois sexos, deixe de se colocar sequer a hipótese de criar fóruns ou “dias mundiais” para mulheres. Talvez todos os fóruns e todos os dias do ano passem a ser fóruns e dias para pessoas. 

Pessoas, ponto final.


*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal


 

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