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Desaculturações
Por Margarida Ribeiro*
Nos países
da Europa Central sentem-se as dificuldades da integração de enormes
massas de emigrantes que durante as últimas décadas foram sendo aceites,
mas não assimilados.
Estes grupos, mantidos a distância,
cresceram coesos, numa coesão que foi ao mesmo tempo um meio de defesa e
uma substituição da pátria. Sobretudo os povos de origem afro-muçulmana
conservaram costumes ancestrais e sublinharam no arreigar dessa marca
cultural o orgulho ameaçado pelo olhar do mundo em que se acolheram.
Os países europeus sentem-se mal com
esta presença cada vez mais orgulhosa e que em muitos casos colide com os
princípios morais que defendem.
Tentam evitar que as raparigas
frequentem as escolas com o rosto tapado por um véu – porque esse modo
de manter a modéstia e a honra colide com os direitos das mulheres como
pessoas. Querem – sem o conseguir – impedir a excisão feminina dentro
das suas fronteiras, onde se gabam de defender os direitos humanos.
Durante toda a História humana se
deram fenómenos de aculturação, na maior parte das vezes sem fricções
de maior. O povo dominante não tinha dificuldade em exigir a adaptação
dos recém-chegados aos seus modos de vida. Em último caso, usava a força.
Agora a defesa da democracia coloca
problemas novos e graves.
O que será mais democrático? Ter
leis iguais para todos e fazê-las cumprir, a bem ou a mal, ou aceitar num
mesmo território e numa mesma nação uma duplicidade de leis que se
aplicam a grupos diferenciados e que se contrariam na moral que defendem,
com o argumento de que é democrático respeitar a cultura de cada um?
A História faz-se assim. E com a
História se aprende. Mas esta é uma lição nova que, como todas, vai
magoar muita gente antes da conclusão final
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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