Webjornal - Quinzenal - Edição 47 - Aracaju,  18  a  25   de janeiro  de 2004
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Portugal Online

Ser jornalista

Por Margarida Ribeiro*

Ser jornalista, no nosso tempo, é ser-se senhor de um poder que, não raramente, deve queimar as mãos.

Certas notícias nascem pouco importantes ou limitadas por um interesse local e reduzido. Algumas são pouco mais consistentes do que boatos, outras relatam crimes caseiros, sem repercussão de maior. Mas uma vez divulgadas em larga escala, são máquinas de gerar terríveis conflitos ou de levar à imitação dos crimes que descrevem.

Talvez haja quem prefira calá-las. Mas outros meios de comunicação pensarão de outro modo. E os que tiverem sido discretos correm o risco de sofrer o abandono dos leitores que se sentiram enganados pelo silêncio que os manteve ignorantes de certos factos.

A distinção entre o que deve, ou não deve, ser publicado nem sempre é pacífica nas redacções que procuram um equilíbrio entre a seriedade e o interesse do seu conteúdo.

No entanto, o facto de esses mesmos meios de comunicação evitarem as noticias apenas sensacionalistas é o que faz a fidelidade do seu público. No dia em que aceitarem, pontualmente que seja, embarcar nos métodos dos pasquins, começam a concorrer no mercado ao nível dos pasquins. Daí em diante não lhes resta caminho a não ser o de se tornarem cada vez mais amorais.

*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal


 

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