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Portugal
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Ser jornalista
Por Margarida Ribeiro*
Ser
jornalista, no nosso tempo, é ser-se senhor de um poder que, não
raramente, deve queimar as mãos.
Certas notícias nascem pouco
importantes ou limitadas por um interesse local e reduzido. Algumas são
pouco mais consistentes do que boatos, outras relatam crimes caseiros, sem
repercussão de maior. Mas uma vez divulgadas em larga escala, são máquinas
de gerar terríveis conflitos ou de levar à imitação dos crimes que
descrevem.
Talvez haja quem prefira calá-las.
Mas outros meios de comunicação pensarão de outro modo. E os que
tiverem sido discretos correm o risco de sofrer o abandono dos leitores
que se sentiram enganados pelo silêncio que os manteve ignorantes de
certos factos.
A distinção entre o que deve, ou não
deve, ser publicado nem sempre é pacífica nas redacções que procuram
um equilíbrio entre a seriedade e o interesse do seu conteúdo.
No entanto, o facto de esses mesmos
meios de comunicação evitarem as noticias apenas sensacionalistas é o que faz a fidelidade do seu público.
No dia em que aceitarem, pontualmente que seja, embarcar nos métodos dos
pasquins, começam a concorrer no mercado ao nível dos pasquins. Daí em
diante não lhes resta caminho a não ser o de se tornarem cada vez mais
amorais.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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