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Portugal
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Dez estádios e um vestido branco
Por Margarida Ribeiro*
Faltam
pouco mais de cem dias para que aconteça em Portugal o campeonato de
futebol Euro 2004. Vai assim terminar o tempo de preparação para este
acontecimento que se tornou um dos mais onerosos imperativos nacionais.
Numa celeridade não costumada neste
país de calma e sossego, foram construídos dentro do prazo dez admiráveis
e caríssimos estádios de futebol e os respectivos acessos rodoviários.
Elementos da polícia e dos bombeiros foram submetidos a acções de formação
para aprenderem a enfrentar multidões em fúria. Motoristas de táxi
sentaram-se em salas de aula para decorar algumas frases em línguas
desconhecidas. Foram recrutados centenas de voluntários para alargarem as
equipas dos assistentes dos estádios. Médicos e enfermeiros, hospitais e
ambulâncias preparam meios e procedimentos para prestar a assistência
que venha a ser necessária. Hotéis abespinharam-se na luta por receber
uma das equipas, ou ainda se adornam para encantar os turistas que, a
reboque dos jogadores e da bola, vão receber.
Toda uma dispendiosa máquina de
publicidade foi construída e começa a funcionar na sua fase obsessiva.
Na que corre em Portugal, a população é incitada a receber os milhares
de estrangeiros, desportistas de bancada, com requintes de cuidados e de
amabilidade.
Espera-se, dizem os defensores do
evento, que esta invasão localizada e temporária se desdobre em conseqüências
lucrativas. Acredita-se que esta visita breve venha a ser uma descoberta
turística para muitos europeus e fazem-se contas entusiasmadas aos
resultados futuros de dar a conhecer à Europa as delícias deste seu
extremo ocidental.
Promover Portugal, afirmam, vale a
imensa despesa.
Entretanto, aqui ao lado, a Espanha
prepara para breve a festa nupcial de um príncipe com uma ex-locutora de
televisão. E uma empresa de sondagens acaba de revelar um resultado
avassalador. No que respeita à promoção do país, o casamento de Filipe e Letizia será
muito mais eficaz a promover Espanha, do que o Euro 2004 a chamar a atenção
para Portugal.
Dez estádios ficam bem mais caros do
que um vestido de noiva. O negócio parece mau. Mas fica-nos uma consolação.
Por muito que o futebol satisfaça sôfregos e inadiáveis ímpetos
guerreiros, ainda se lhe prefere uma história de “Era
uma vez uma princesa…”. Ainda há por aí um resíduo de criança
nas pessoas crescidas. É uma esperança a acalentar.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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