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Portugal
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Mãos da alma
Por Margarida Ribeiro*
São
poderosas, as palavras. Criam idéias, cultivam opiniões, regam e adubam
preconceitos. Abrem-nos as portas de cada dia. Quando sedutoras,
atraem os outros e mantêm presas as atenções e as presenças.
Em certos raros momentos entram-nos
bem dentro e trazem nas palmas abertas pedaços das verdades de que somos
feitos. Mas na maior parte do tempo as palavras escondem.Com elas, não
raro sem o querer, pintamos os retratos que nos inventamos, encobrindo no
mais fundo de nós mesmos o que realmente somos.
Como gestos de mãos, podem ser
maldosas. Constroem teorias que nos isolam como paredes, ou, se incautas,
destroem edifícios de confiança. Fazem-se garras e rasgam alegrias.
Apavoram quando se agitam em ameaças. Enterram na lama reputações,
esmagam auto-confianças.
São mãos, as palavras.
Uma vez por outra, nascem em forma de
afago. Fazem-se uma carícia de alma. É dessas que a mais das vezes a
nossa coragem se alimenta.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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