Webjornal - Quinzenal - Edição 53 - Aracaju,  11  a  25  de abril  de 2004
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Portugal Online

Mãos da alma

Por Margarida Ribeiro*

São poderosas, as palavras. Criam idéias, cultivam opiniões, regam e adubam preconceitos. Abrem-nos as portas de cada dia. Quando sedutoras, atraem os outros e mantêm presas as atenções e as presenças.

Em certos raros momentos entram-nos bem dentro e trazem nas palmas abertas pedaços das verdades de que somos feitos. Mas na maior parte do tempo as palavras escondem.Com elas, não raro sem o querer, pintamos os retratos que nos inventamos, encobrindo no mais fundo de nós mesmos o que realmente somos.

Como gestos de mãos, podem ser maldosas. Constroem teorias que nos isolam como paredes, ou, se incautas, destroem edifícios de confiança. Fazem-se garras e rasgam alegrias. Apavoram quando se agitam em ameaças. Enterram na lama reputações, esmagam auto-confianças.

São mãos, as palavras.

Uma vez por outra, nascem em forma de afago. Fazem-se uma carícia de alma. É dessas que a mais das vezes a nossa coragem se alimenta.

*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal


 

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