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Portugal
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Romarias
Por Margarida Ribeiro*
Pintura:
Dordio Gomes

Passados
os maiores frios, começa agora, aqui em Portugal, a época das romarias.
Nos
meados do séc. XX, uma vez por ano as aldeias despovoavam-se da sua gente
que caminhava a pé por caminhos de terra batida, entre campos, até ao
adro de uma capela, quase sempre construída num lugar despovoado, onde se
venerava o santo da devoção regional. Iam em grupos, velhos e novos,
carregados com um copioso farnel e acompanhados por tocadores de tambor e
de concertina.
Uma vez
chegados, começava a festa. Assistiam às cerimónias religiosas, pagavam
as promessas feitas nas horas de aflição e, terminado o negócio com o
santo, começava o baile e a comezaina. Comiam, bebiam e dançavam até
noite alta, altura em que a maior parte adormecia num acampamento
desordenado antes de, nascido o sol, todos regressarem a casa.
Hoje em
dia as romarias continuam a ser momentos altos da vida da população
rural. As igrejinhas são as mesmas. Algumas foram engolidas pelas cidades
que se arredondaram, mas outras mantêm-se isoladas em lugares ermos. Já
ninguém vai a pé e já ninguém adormece pela noite debaixo de um
sobreiro, mas juntam-se ainda maiores multidões, e por mais dias, no espaço
à volta das velhas capelas. Alguns, emigrados em França ou na Alemanha,
vêm de longe para assistir aos festejos. Os feirantes acorrem a levantar
as suas tendas e os seus carrosséis que instalam sob o atroador som de
uma música tornada ruído pela violência das aparelhagens sonoras.
Armam-se lugares de comes e bebes, restaurantes improvisados, onde grupos
se instalam a jantar um churrasco barulhento e animado.
De
nada valeu a luta de séculos com que a Igreja tentou, em tempos idos,
separar os festejos religiosos dos profanos. A veneração ao santo, à
medida que vão morrendo as velhas superstições populares, tornou-se
cada vez mais um pretexto, não raro até ele mesmo desprezado e
esquecido. Tal como outrora, as romarias são sobretudo espaços de
encontro, de festa e de alegria.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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