Webjornal - Quinzenal - Edição 56 - Aracaju,   23  de maio a  06 de junho  de 2004
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Portugal Online

O tempo

Por Margarida Ribeiro*

Há um valor relativo no peso dos momentos que nos cercam. Os sentimentos têm um peso provisório. Alguns apavoram e destroçam, de outros se espera que perdurem, mas a maior parte deles mostra-se efémera como uma chuva de verão.

O mais importante que se aprende com os anos de vida é a importância que o tempo tem. O tempo passa e nós mudamos com ele o suficiente para descobrir como resolver problemas antes aparentemente insolúveis. Ou percebemos que os problemas se esboroam e deixam de ser obstáculos. Ou adaptamo-nos aos lugares incómodos, cavando neles um novo ninho

Quase sempre, perdida a teimosia com que nos fixávamos num certo ponto do nosso horizonte, descobrimos caminhos novos que antes não quiséramos sequer olhar.

“Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou. Há tempo de destruir e tempo de edificar. Há tempo de chorar e tempo de rir. Há tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar.”

Em certas horas da vida precisamos de aceitar a espera por uma nova hora. Acaba sempre por surgir, de um qualquer amanhecer, uma nova maneira de olhar o dia e um novo modo de o dia se abrir.

*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal

 

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