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Portugal
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O tempo
Por Margarida Ribeiro*
Há
um valor relativo no peso dos momentos que nos cercam. Os sentimentos têm
um peso provisório. Alguns apavoram e destroçam, de outros se espera que
perdurem, mas a maior parte deles mostra-se efémera como uma chuva de verão.
O mais
importante que se aprende com os anos de vida é a importância que o
tempo tem. O tempo passa e nós mudamos com ele o suficiente para
descobrir como resolver problemas antes aparentemente insolúveis. Ou
percebemos que os problemas se esboroam e deixam de ser obstáculos. Ou
adaptamo-nos aos lugares incómodos, cavando neles um novo ninho
Quase
sempre, perdida a teimosia com que nos fixávamos num certo ponto do nosso
horizonte, descobrimos caminhos novos que antes não quiséramos sequer
olhar.
“Há
tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de colher o
que se plantou. Há tempo de destruir e tempo de edificar. Há tempo de
chorar e tempo de rir. Há tempo de espalhar pedras e tempo de as
ajuntar.”
Em
certas horas da vida precisamos de aceitar a espera por uma nova hora.
Acaba sempre por surgir, de um qualquer amanhecer, uma nova maneira de
olhar o dia e um novo modo de o dia se abrir.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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