Webjornal - Quinzenal - Edição 61 - Aracaju,   01 a 15 de agosto  de 2004
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Portugal Online

Esperanças

Por Margarida Ribeiro*

Na maior parte dos dias agarramos em esperanças, sejam elas maiores ou menores, como se fossem velas acesas.

Como a chama das velas, as esperanças simples, como a de que não chova ou a de se ganhar a lotaria, podem ser acesas por um anseio e por um gesto. Mas mais nada podemos fazer para as manter vivas.

A outras, como a esperança de um qualquer prazer que se perfila no horizonte, defendemos de imprevistos como se defende a chama de uma corrente de ar.

Mas uma esperança grande e redonda, ainda vaga e ténue como um nevoeiro de verão, uma que queiramos muito que venha a cristalizar em forma de alegria, essa não pode ser apenas uma luz que se acendeu. Tem de ser uma planta.

Tem de ser semeada e cuidada até levantar os raminhos acima da terra. Tem de ser adubada. Tem de ser regada em cada uma de muitas e muitas manhãs até criar raízes.

Só assim um dia pode vir a ser a árvore onde os nossos sorrisos façam os ninhos e cuja sombra nos há-de proteger enquanto saboreamos, enfim, os frutos que a nossa Esperança esperou.

*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal

 

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