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Esperanças
Por Margarida Ribeiro*
Na maior parte dos dias agarramos em esperanças,
sejam elas maiores ou menores, como se fossem velas acesas.
Como a chama das velas, as esperanças simples, como
a de que não chova ou a de se ganhar a lotaria, podem ser acesas por um
anseio e por um gesto. Mas mais nada podemos fazer para as manter vivas.
A outras, como a esperança de um qualquer prazer
que se perfila no horizonte, defendemos de imprevistos como se defende a
chama de uma corrente de ar.
Mas uma esperança grande e redonda, ainda vaga e ténue
como um nevoeiro de verão, uma que queiramos muito que
venha a cristalizar em forma de alegria, essa não pode ser apenas uma luz
que se acendeu. Tem de ser uma planta.
Tem de ser semeada e cuidada até levantar os
raminhos acima da terra. Tem de ser adubada. Tem de ser regada em cada uma
de muitas e muitas manhãs até criar raízes.
Só assim um dia pode vir a ser a árvore onde os
nossos sorrisos façam os ninhos e cuja sombra nos há-de proteger
enquanto saboreamos, enfim, os frutos que a nossa Esperança esperou.
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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