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Para lá de uma esquina
Por Margarida Ribeiro*
Ao voltar de uma esquina, numa encruzilhada
dos dias, queremos certezas que nos impeçam do erro.
Conhecemo-nos a nós mesmos tão pouco que damos
voltas e voltas dentro de nós à procura de certezas de que de vez em
quando precisamos – e não as encontramos. E nem se sabe bem se o
desconhecimento está em não as encontrar ou simplesmente em não as
reconhecer, tendo-as diante de nós.
Seja qual a forma do nosso “não sou capaz”,
desesperamo-nos.
Talvez seja um passo para a maturidade a aceitação
da eterna incerteza, da constante mutação, do emergir e imergir em nós
mesmos de sentimentos, desse ondular de convicções que se desfazem em
ondas de dúvidas.
Mas é vegetativa a vida que se recusa ao risco de
chorar. As lágrimas hão-de ser sempre reparadoras e reparáveis. Os
lutos hão-de ser sempre Invernos de mortes provisórias, geradoras de
vida.
Escusamos de procurar certezas quando achamos à mão
de semear uma alegria para colher. É um cristal, macio e sólido. Goza-se
o prazer de o tocar, de lhe sentir as faces acetinadas, de lhe captar as
faíscas de luz. Depois, se for preciso, pousa-se outra vez na prateleira
da vida.
À alegria que nos deu, mesmo que provisória,
podemos chamar nossa, já que a tivemos.
«««««««««««««««
Isto é bonito de ser dito e de pensar.
Mas há sempre uma diferença entre aquilo que
realmente se sabe e o que verdadeiramente integramos. A sabedoria no cérebro
- sem ainda nos correr nas veias.
Quantas
vidas serão precisas para se aprender a aceitar sem indecisões, sem
luta, sem medos, com a singeleza de uma alma tranquila, o desconhecido de
um caminho novo?
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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