Webjornal - Quinzenal - Edição 73 - Aracaju,  30 de janeiro a 13 de fevereiro de 2005
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Portugal Online

Para lá de uma esquina

Por Margarida Ribeiro*

Ao voltar de uma esquina, numa encruzilhada dos dias, queremos certezas que nos impeçam do erro.

Conhecemo-nos a nós mesmos tão pouco que damos voltas e voltas dentro de nós à procura de certezas de que de vez em quando precisamos – e não as encontramos. E nem se sabe bem se o desconhecimento está em não as encontrar ou simplesmente em não as reconhecer, tendo-as diante de nós.

Seja qual a forma do nosso “não sou capaz”, desesperamo-nos.

Talvez seja um passo para a maturidade a aceitação da eterna incerteza, da constante mutação, do emergir e imergir em nós mesmos de sentimentos, desse ondular de convicções que se desfazem em ondas de dúvidas.

Mas é vegetativa a vida que se recusa ao risco de chorar. As lágrimas hão-de ser sempre reparadoras e reparáveis. Os lutos hão-de ser sempre Invernos de mortes provisórias, geradoras de vida.

Escusamos de procurar certezas quando achamos à mão de semear uma alegria para colher. É um cristal, macio e sólido. Goza-se o prazer de o tocar, de lhe sentir as faces acetinadas, de lhe captar as faíscas de luz. Depois, se for preciso, pousa-se outra vez na prateleira da vida.

À alegria que nos deu, mesmo que provisória, podemos chamar nossa, já que a tivemos.

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Isto é bonito de ser dito e de pensar.

Mas há sempre uma diferença entre aquilo que realmente se sabe e o que verdadeiramente integramos. A sabedoria no cérebro - sem ainda nos correr nas veias.

Quantas vidas serão precisas para se aprender a aceitar sem indecisões, sem luta, sem medos, com a singeleza de uma alma tranquila, o desconhecido de um caminho novo?

*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal

 

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