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Democracia... E a seguir?
Por Margarida Ribeiro*
A Democracia, como sistema político, está a
entrar na sua fase de perversão.
Todos os sistemas políticos passaram por três
fases. Começaram por ser revolucionários, desinstalando vantagens e
privilégios. Uma vez postos em vigor, cumpriram por algum tempo os fins a
que se destinavam. Finalmente, tendo criado novas ordens sociais e políticas,
começaram a depravar-se. Era neste terceiro momento que surgia, mais uma
vez revolucionária, a nova ideia de um novo sistema.
O feudalismo foi visto como bárbaro pelos olhos
herdeiros do organizado olhar romano, depois cumpriu o seu papel num mundo
em que germanos ou godos não estavam preparados para instituições
nacionais e finalmente desmoronou quando os países começaram a estar grávidos
da ideia de nação.
O absolutismo nasceu da necessidade de desfazer os
mini-reinados dos grandes senhores, que fragmentavam os países e os
tornavam em constantes campos de batalha. Cumpriu a sua função e ruiu
quando os reis absolutos excederam a sua função de “iluminar” a
sociedade.
O liberalismo, com as suas primeiras formas de
democracia serviu para desfazer os excessos reais e colocar entre balizas
o poder da coroa – ou eliminá-lo. E conseguiu-o. Mas foi feito para uma
elite letrada que assumia as decisões de um povo analfabeto. Ao construir
escolas e popularizar uma imprensa livre, tornou-se num sistema incapaz de
governar uma população que começava a tomar consciência do seu poder.
De exigência em exigência, de repressão em repressão, degenerou numa
total anarquia socialmente injusta e economicamente inviável.
Foi para terminar com esse estado de coisas que
surgiram, por um lado os teóricos do comunismo, que visavam a justiça
social, por outro lado os da ditadura, que procuravam a ordem e a
disciplina. Por um tempo curto (porque o tempo corre cada vez mais
depressa) os camponeses russos viram-se senhores das terras onde antes
eram escravos e os comboios andaram a horas na Alemanha. Como cada um
destes sistemas degenerou em tragédia, qualquer um de nós o sabe.
E chegaram as democracias modernas. Começaram com
estadistas que ganhavam eleições por anunciarem programas de acção e
se prever que saberiam aplicá-los. Criou ordem e melhorou a justiça
social. Satisfez os objectivos. Hoje em dia, porém, por mil razões
dispersas pelas novidades dos nossos tempos, a eleição depende sobretudo
do especialista de “marketing” que sabe, ou não, vender a imagem do
candidato. A corrupção instalou-se e cria uma enorme rede de benesses mútuas
que move o poder e a força desta “venda”, potencializada pela
comunicação social. Não escolhemos o mais capaz, mas o que melhor se
soube vender. Raramente sabemos como pretende governar, e não temos dúvidas
de que a globalização lhe coarctará as decisões que possamos
supor-lhe.
Diz-se muito que a democracia tem defeitos, mas é o
melhor que temos. Estou de acordo. Só não entendo a razão pela qual,
num mundo em que todos os dias se descobrem novas maravilhas na economia,
na técnica e na ciência, não existe, como antes existiram, teorias -
revolucionárias que sejam como
sempre foram as novas ideias - que proponham um novo sistema político,
absolutamente novo, ainda não experimentado, capaz de ser ele, por um
tempo, a dar-nos o mundo que
nós, gente do século XXI, precisamos de ter.
Ou existem e eu não sei?
*Professora
portuguesa, reside em Castelo Branco, Portugal
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