Webjornal - Mensal - Edição 90 - Aracaju,  04 de junho a 09 de julho de 2006
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Portugal Online

Sentidos

Por Margarida Ribeiro*

Diz-se a palavra “sensualidade” e toda a gente, inevitavelmente, pensa em sexo.

E no entanto a sensualidade é a capacidade de tirar partido e prazer dos sentidos.

Ora acontece que os sentidos e o deleite que nos trazem são cinco: o prazer da vista, o da audição, o do paladar, o dos odores, o do tacto.

Acham-se todos os dias em coisas pequeninas.

Ouvimos os cantos dos pássaros ou o murmúrio de um ribeiro, a música na rádio ou a que alguns sabem fazer para si mesmos.

Vemos um pôr-do-sol, uma paisagem belíssima, uma flor, um desenho que nos encanta, um gesto belo que se nos coloca diante dos olhos. Até uma fotografia. Até focinho doce terno de um cão ou de um gato… Ou um sorriso. Ou a ternura de um olhar.

Provamos um doce ou uma gostosa sopa, bebemos a frescura de uma água de montanha, saboreamos um gelado.

Sentimos o perfume das folhas de eucaliptos ou da flor de rosmaninho que invade os campos. Ou do pão ainda quente, acabado de sair do forno.

Abraçamos e somos abraçados. Tocamos seda ou veludo, num tecido ou nas pétalas de flores.

Dizia um poeta português, David Mourão Ferreira:

Nós temos cinco sentidos.
São dois pares e meio de asas.
Como queres o equilíbrio?

Mas esse desequilíbrio, até ele, é parte integrante da vida. É o que nos faz vibrar em vez de vegetar na repetição dos momentos sempre iguais.

Só pode resumir sensualidade a sexo quem não saiba de todo SENTIR e amar estes prazeres pequeninos, gratuitos, diários - deliciosos.

*Professora portuguesa,  reside em Castelo Branco,  Portugal
Blog da autora: http://portaencostada.blogspot.com/

   

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