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Edição 5

Aracaju, 03 de novembro de 2002

 

 

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A CULTURA SOB ESCOMBROS

 

Demolição do cine Rio Branco expõe descaso com a cultura

 

Por Paulo Lima

 

A demolição do cine Rio Branco, no último mês de outubro, provocou a reação organizada de entidades culturais de Aracaju e expôs o descaso com a cultura no estado de Sergipe. O Rio Branco, situado na zona central da cidade, era um dos mais antigos cinemas em funcionamento do mundo (faria 100 anos em 04 de abril de 2004), e foi posto a pique por determinação dos seus proprietários Adilson Franco Barreto e a construtora Celi, após entrarem com um pedido formal para reforma do prédio. Nos últimos 20 anos, o cinema esteve arrendado ao empresário J Queiroz.

 

Enquanto existiu, o antigo cinema foi alvo de um decreto de destombamento do governo Albano Franco. O instrumento legal baseou-se na premissa de que, para fins de tombamento, deve prevalecer a importância arquitetônica do patrimônio, e não sua relevância histórica e cultural. Assim, o Rio Branco foi destombado.

 

Grupos e entidades de Aracaju ligados à cultura têm criticado o desinteresse da administração estadual no assunto. “Entramos com representação junto ao ministério público em nome da Ecos (Entidades Culturais Organizadas de Sergipe)”, informa Rosângela Rocha, presidente em Sergipe da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas).

 

Além da representação, a Ecos acompanha o processo de tombamento do Rio Branco junto à Condurb, conselho de desenvolvimento urbano e ambiental responsável pela elaboração de um plano diretor para Aracaju. Nesse plano, alguns prédios de Aracaju foram indicados como de potencial de importância histórica e cultural para a cidade. Neste caso, seria incluído o cine Rio Branco.  O Condurb já havia solicitado que os proprietários do cinema apresentassem um projeto que contemplasse uma política cultural para a área.

 

Passado de glória

 

A cortina do cine Rio Branco, que também já foi teatro, começou a ser encerrada de fato quando a ribalta na qual desfilaram nomes do estrelato nacional (como Bidu Sayão e Procópio Ferreira) e internacional (como o grande tenor italiano Tito Schipa) foi transformada numa simples sala de projeção de filmes pornôs.

 

A rua João Pessoa, na qual se localizava o Rio Branco, já foi no passado o ponto mais movimentado de Aracaju. Ali se localizava a fina flor do comércio e da vida cultural da cidade. Para se ter uma idéia da sua importância, a João Pessoa foi a primeira via a receber os benefícios do asfalto na então jovem capital. A tranqüila província de Aracaju, à época, deve ao teatro Rio Branco, do empresário “romântico e esquisitão” Juca Barreto, “as noites mais famosas da arte teatral, dos nobres musicais e do cinema”, conforme relembra o escritor e ensaísta Lauro Fontes, em libelo contra a demolição do velho cine-teatro, publicado no Cinform de 28.10.02

 

Hoje a província não é mais doce, nem tranqüila. Os empresários não são mais românticos, mas os ideais culturais permanecem. E é à sombra desses ideais que se planeja a construção de um teatro multiuso no mesmo local do cinema demolido. Segundo ainda Rosângela Rocha, esse pelo menos é o objetivo da Ecos, que espera mobilizar o poder municipal e toda a sociedade para o soerguimento do cine e teatro Rio Branco.

 

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