Webjornal - Quinzenal  - Edição 51 - Aracaju,  14 a  28   de março  de 2004
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Reportagem

Gigantes pela própria natureza

O mais alto edifício de Sergipe leva o nome da mais alta mulher do Brasil. Ambos vivem momentos de dificuldade. 

Por  Jaime Santana Neto e Rafael Heleno*

Qual a relação entre a sergipana Maria Feliciana – a mulher mais alta (2,25m) do Brasil – e o edifício Estado de Sergipe?

A marcante estrutura foi inaugurada em 1970, no então governo de Lourival Batista, que foi pautado por uma série de obras ostensivas em pleno regime militar. Mesmo com problemas na planta de elaboração da obra – hoje, fator bem visível – a arquitetura representou para Sergipe um símbolo de modernidade na época. Foi por muito tempo o maior edifício do Nordeste e permanece sendo até hoje o mais alto do estado.

Intitulado pela população de “Maria Feliciana”, apenas um dos seus 28 andares não era ocupado pelo Banco do Estado de Sergipe (BANESE), no período em que foi inaugurado. Devido a mudanças administrativas, o banco deixou no edifício apenas sua agência central – uma das maiores de Sergipe. Com isso, seus andares foram ocupados por órgãos estaduais e federais.

Embora de responsabilidade do governo, como patrimônio da secretaria de administração, que não subvenciona nenhuma verba para manutenção, o sistema adotado de comodato entre os condôminos é o que mantém seu funcionamento básico.

“Não há pagamento de aluguel no local, mas sim uma divisão de despesas, sem um valor especifico. As despesas aqui geralmente giram em torno R$ 25.000,00 mensais, ratificados entre os ocupantes”, esclarece Albério Aração, assistente de administração do local, ressaltando também, que caso haja alguma redução nos custos mensais, o valor de taxa sofre alteração. “Eu acho justo, o código civil prevê isso, o ocupante é responsável pelo empreendimento”, complementa.

A administração estadual não loca apenas uma sala, mas sim um andar completo. O número de compartimentos varia dentro da necessidade de cada órgão, o que é só possível por sua estrutura não ser de alvenaria, mesmo existindo colunas.

Inadimplência

Hoje praticamente metade do prédio está vazio, aguardando locadores. Mesmo não sendo ocupado por famílias, o nível de inadimplência também é alto. “Alguns órgãos atrasam e às vezes nem pagam, então nós temos estes impasses de caixa e gerenciamento decorrentes da falta de dinheiro. Algumas secretarias não saldam suas despesas”, afirmou o assistente administrativo.

A baixa ocupação acaba por elevar os custos, que contribui para que cada vez mais o “Maria Feliciana” seja esquecido como espaço utilitário público, se tornando algo obsoleto aos olhos de quem deveria investir e reestruturar suas paredes e colunas.

Histórias

Conta-se que no auge da construção, o governador Lourival Batista, que possuía gado em São Cristóvão, chegou a subir no 25° andar, de onde tentou avistar seus rebanhos, mas não conseguiu, ficando bastante frustrado. Então ele ordenou que se construísse mais dois andares, para assim alcançar o objetivo almejado. 

Mesmo sendo o maior do estado, um dado curioso é o número de suicídios cometidos no local: muito poucos.  Segundo Albério Aragão, apenas dois casos foram registrados por ele.  O primeiro aconteceu na década de 80. Segundo o assistente, o suicídio foi cometida por um funcionário do próprio Banese;  a causa não foi mencionada. O último ocorreu antes do carnaval (2004), mas não trouxe grandes seqüelas para o adolescente que saltou e teve apenas o punho quebrado.

Vale ressaltar que todas as janelas são fechadas, e que o local é vigiado tanto por funcionários quando pela brigada de incêndio do Corpo de Bombeiros de Sergipe.

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Maria Feliciana

 Enquanto o prédio  que lhe tomou de empréstimo o nome não ficava pronto, Maria Feliciana já trabalhava e se apresentava em circos, programas de tevê e concursos. Dois pontos de referência para o estado de Sergipe. Comprovadamente a maior mulher do nosso país, conforme o Guinness Book, Maria Feliciana já jogou até tênis! Mas a carreira artística lhe chamou mais a atenção. Hoje, essa grande mulher passa por dificuldades e entrou na justiça, para que assim pudesse ser autenticado, de papel passado, a troca de nomes, onde o popular edifício Estado de Sergipe pudesse ser reconhecido como unicamente Maria Feliciana, em uma homenagem a quem representou o estado no país inteiro e no mundo. “Me sinto muito honrada em ser lembrada sempre pelo povo, quando se referem ao prédio, chamando-o pelo meu nome; é uma forma de não ser esquecida totalmente”, disse Maria Feliciana.

Contando com a ajuda do artista plástico Delton Rios e com o apoio do deputado Estadual Francisco Gualberto (PT-SE), o projeto que autoriza esta mudança foi aprovado, só restando agora a transferência efetiva do nome.

*Estudantes de Jornalismo da Universidade Tiradentes (SE).

 

    

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