Webjornal - Quinzenal  - Edição 60 - Aracaju,  18 de julho a  01 de agosto  de 2004
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Reportagem

Livreiro por acaso

Natural do interior de Pernambuco, Rito ajuda a difundir os autores sergipanos, depois de trabalhar anos como auxiliar de farmácia

Texto e foto: Paulo Lima

José Rito da Silva, 32 anos, costuma chegar cedo ao Mercado Antônio Franco - lá pelas 6h - para tocar aquele que vem sendo o seu negócio desde janeiro deste ano, quando ficou desempregado. Deixou para trás 13 anos de profissão como auxiliar de farmácia para vender livros e CDs de autores de Sergipe. Embora pareça circunstancial, a mudança encontrou um candidato já afeito ao desafio. "Abracei a idéia por gostar de música e literatura, meu maior sonho era fazer teatro ou algo na mídia, como radialista", diz, enquanto vai preparando o ambiente para mais um dia de trabalho que só terminará às 18h.  

A Ritos - como foi batizada a livraria - está instalada a um canto da entrada leste do mercado. Começou com 14 exemplares, seguramente o menor ponto de vendas de livros de que se tem notícia, graças a um convite do presidente da associação dos comerciantes do mercado, seu cunhado. "As pessoas nem olhavam, fiquei até preocupado", diz Rito. Mas esse pernambucano de Bom Conselho de Papa Caça é, antes de tudo, perseverante. Hoje o espaço é procurado por professores, médicos, estudantes e - naturalmente - turistas.   

Antes de iniciar no novo ramo, Rito fez pesquisas, "como se fosse um comprador", para sondar melhor o novo território. Ele acreditava no potencial dos autores sergipanos. "Temos uma literatura rica que precisa ser divulgada", disse. 

Nas prateleiras, o visitante pode encontrar desde os últimos lançamentos até algumas raridades. É o caso de um exemplar meio desgastado do livro História de Sergipe, de Pires Wynne, uma relíquia da historiografia sergipana, que não está à venda mas pode ser consultado no local. 

Rito recebe ajuda dos guias turísticos, que procuram indicá-lo para turistas. Cioso das dificuldades, ele procura diversificar o negócio. Vende também jornais e oferece um  serviço de cópias.  Das vendas dos livros, que são deixados sob consignação pelos autores, Rito costuma ficar com 15 a 30%.

De olho no futuro, ele visa ampliar o projeto, fechando e gradeando o espaço, pois reclama que arrumar e desarrumar livros todos os dias dá trabalho. Ajuda oficial já buscou, sim, porém é algo muito difícil de encontrar. "Então", conforma-se Rito, "fico na minha".

E segue sobrevivendo no difícil negócio, apesar das dificuldades. "Quem é o brasileiro que não tem dificuldade hoje?", indaga, com razão. 

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