Webjornal - Quinzenal  - Edição 61 - Aracaju,   01 a 15 de agosto  de 2004
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Reportagem

Viagem ao século 16

Monografia sobre história colonial explora roteiro de viagem entre os estados da Bahia e Pernambuco 

Por  Paulo Lima

Algo trivial nos dias hoje, de aviões a jato e veiculos modernos e velozes, uma aventura no século 16, de navios com velas enfunadas ao vento. Cobrir o espaço que liga a Bahia a Pernambuco, numa viagem, poderia resultar num ritual tão insólito quanto arriscado. Os obstáculos eram inúmeros: "Escasseavam as embarcações, havia carência de ventos e a atuação de piratas", explica Pedro Abelardo de Santana em seu livro "Da Bahia a Pernambuco no século 16", resultado de uma monografia de conclusão do curso de História da UFS, vencedora do primeiro Prêmio de Monografias José Silvério leite Fontes.  

Se o caminho marítimo oferecia dificuldades, o trajeto por terra não ficava para trás: "Os apertos sofridos pelos viandantes por terra eram muitos, devido às densas florestas, aos atoleiros, aos rios largos e caudais, à escassez alimentar, aos animais selvagens e aos índios inimigos".

Ainda assim, a ocupação do território ocorria, contribuindo para desbravar a terra recém-descoberta. Os atrasos, hoje medidos em minutos, ou no máximo em horas, preenchiam o espaço de meses ou até anos. "Por causa da falta de embarcação, o padre Antonio Pires, que estava em Pernambuco desde 1551, atrasou uma viagem para Salvador durante dois anos e meio".

No século 16, Bahia e Pernambuco eram as capitanias mais importantes da Colônia. As viagens contribuíram para o processo de ocupação e colonização da nova terra. Essas viagens tinham objetivos religiosos, econômicos e militares. Por esforço da catequese dos índios aqui encontrados, os principais viajantes eram os religiosos da ordem jesuíta. 

Adaptação

Em condições normais, uma viagem por mar entre os dois estados podia durar de três a quatro dias. Por terra, levava um mês. Detalhe: dada a inexistência de montaria, o percurso era feito a pé. No trajeto marítimo, a ação de piratas franceses e ingleses eram uma constante ameaça, levando à interrupção de muitas viagens.

Os meios de transporte utilizados nos remetem à imagem de muitos filmes já vistos sobre o período da colonização do Brasil. "Nos roteiros terrestres, andar a pé foi o modo mais eficaz de viajar encontrado pelos portugueses. Nessas caminhadas levavam para transporte, de forma acessória, o cavalo e a rede". Um detalhe curioso: ao contrário do que era de se esperar, o uso do cavalo como meio de transporte era limitado. Para cruzar os inúmeros rios, os portugueses "carregavam consigo algumas madeiras, com as quais montavam jangadas". No caminho marítimo "sobressaiam os galeões, as caravelas e os caravelões". Também eram utilizadas jangadas.

No processo de ocupação do novo território, os portugueses acabaram por se adaptar aos hábitos nativos, trilhando as distâncias a pé. A dificuldade em seguir um caminho marítimo, principalmente devido à ação dos piratas,  impulsionaram os portugueses a desbravar as trilhas terrestres, fato que contribuiu para ampliar os limites do território para além dos núcleos mais populosos, mais próximos do litoral. 

                 

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