|
Reportagem
Viagem
ao século 16
Monografia sobre história colonial
explora roteiro de viagem entre os estados da Bahia e Pernambuco
Por
Paulo
Lima
Algo
trivial nos dias hoje, de aviões a jato e veiculos modernos e velozes,
uma aventura no século 16, de navios com velas enfunadas ao vento. Cobrir
o espaço que liga a Bahia a Pernambuco, numa viagem, poderia resultar num
ritual tão insólito quanto arriscado. Os obstáculos eram inúmeros:
"Escasseavam as embarcações, havia carência de ventos e a
atuação de piratas", explica Pedro Abelardo de Santana em seu livro
"Da Bahia a Pernambuco no século 16", resultado de uma
monografia de conclusão do curso de História da UFS, vencedora do
primeiro Prêmio de Monografias José Silvério leite Fontes.
Se
o caminho marítimo oferecia dificuldades, o trajeto por terra não ficava
para trás: "Os apertos sofridos pelos viandantes por terra eram
muitos, devido às densas florestas, aos atoleiros, aos rios largos e
caudais, à escassez alimentar, aos animais selvagens e aos índios
inimigos".
Ainda
assim, a ocupação do território ocorria, contribuindo para desbravar a
terra recém-descoberta. Os atrasos, hoje medidos em minutos, ou no
máximo em horas, preenchiam o espaço de meses ou até anos. "Por
causa da falta de embarcação, o padre Antonio Pires, que estava em
Pernambuco desde 1551, atrasou uma viagem para Salvador durante dois anos
e meio".
No
século 16, Bahia e Pernambuco eram as capitanias mais importantes da
Colônia. As viagens contribuíram para o processo de ocupação e
colonização da nova terra. Essas viagens tinham objetivos religiosos,
econômicos e militares. Por esforço da catequese dos índios aqui
encontrados, os principais viajantes eram os religiosos da ordem
jesuíta.
Adaptação
Em
condições normais, uma viagem por mar entre os dois estados podia durar
de três a quatro dias. Por terra, levava um mês. Detalhe: dada a
inexistência de montaria, o percurso era feito a pé. No trajeto
marítimo, a ação de piratas franceses e ingleses eram uma constante
ameaça, levando à interrupção de muitas viagens.
Os
meios de transporte utilizados nos remetem à imagem de muitos filmes já
vistos sobre o período da colonização do Brasil. "Nos roteiros
terrestres, andar a pé foi o modo mais eficaz de viajar encontrado pelos
portugueses. Nessas caminhadas levavam para transporte, de forma
acessória, o cavalo e a rede". Um detalhe curioso: ao contrário do
que era de se esperar, o uso do cavalo como meio de transporte era
limitado. Para cruzar os inúmeros rios, os portugueses "carregavam
consigo algumas madeiras, com as quais montavam jangadas". No caminho
marítimo "sobressaiam os galeões, as caravelas e os caravelões".
Também eram utilizadas jangadas.
No
processo de ocupação do novo território, os portugueses acabaram por se
adaptar aos hábitos nativos, trilhando as distâncias a pé. A
dificuldade em seguir um caminho marítimo, principalmente devido à
ação dos piratas, impulsionaram os portugueses a desbravar as
trilhas terrestres, fato que contribuiu para ampliar os limites do
território para além dos núcleos mais populosos, mais próximos do
litoral.
|