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Reportagem
Visitantes
que vêm do frio
O estudante de Biologia
Bruno Almeida realiza estudo pioneiro sobre a presença de aves
migratórias em dois ecossistemas de Aracaju
Por
Paulo Lima
Paulo Lima
Que
tipo de relação pode haver entre os dias calientes do verão de Aracaju
e o inverno gelado de alguns países do Hemisfério Norte? Se o universo
considerado for aves migratórias, tem tudo a ver. Fugindo do frio
rigoroso de países como Canadá e Estados Unidos, muitas espécies
abandonam o seu torrão de origem para se aventurar no espaço aéreo de
regiões mais aquecidas do Hemisfério Sul.
Como
a rota de vôo é muito extensa, as aves não conseguem, ao contrário dos
aviões, realizar um vôo non-stop. Precisam fazer paradas para
descansar e abastecer as turbinas - algumas aves percorrem a incrível
distância de doze mil quilômetros, numa percurso que vai do Alasca até
a Terra do Fogo, na Patagônia. É no pouso em entrepostos como
Aracaju que as aves são alvo da observação de pesquisadores como Bruno
Almeida, 21, estudante de Biologia da Universidade Federal de Sergipe.
Bolsista
do CNPq/PIBIC, sob a orientação do professor Edson Barbieri, Bruno vem
há treze meses se dedicando ao estudo sobre a permanência de aves
migratórias nos manguezais da praia Treze de Julho e de Atalaia, dois
ecossistemas por ele selecionados para os trabalhos de observação.
"Esse
trabalho visa ampliar as informações sobre a avifauna", explica
Bruno. O foco são as aves de mangue e de praia. De posse de um binóculo,
ele observa e vai tomando nota. As saídas são realizadas duas vezes na
semana, com
tempos de uma a duas horas e meia.
Ponto
de parada
Até
o momento, o estudo realizado revela que o estado de Sergipe é um
importante ponto de parada na rota migratória de algumas aves.
Outra conclusão é que a intervenção do homem exerce influência sobre
a distribuição e abundância dessas aves, principalmente nos fins de
semana, por causa de uma maior presença de banhistas.
Ao
todo, foram registradas a presença de dezoito espécies, entre
"turistas" e nativas. O quero-quero, por exemplo, popular
entre os freqüentadores das zonas de praia por emitir um canto
característico, é uma dessas aves residentes.
O
período de pico para a presença das visitantes que vêm do frio pode ser
registrado entre os meses de outubro e janeiro. Estima-se que pelo menos 3.000
indivíduos, ou aves, conquistam as nossas praias e mangues fugindo do frio do
Hemisfério Norte.
E,
nessa parada, degustam invertebrados, tipo caranguejos, e absorvem um
pouco do calor dos trópicos. Ou seja, tudo o que pode haver
de melhor.
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