Webjornal - Quinzenal  - Edição 63 - Aracaju,  29 de agosto a 12 de setembro  de 2004
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Reportagem

Visitantes que vêm do frio

O estudante de Biologia Bruno Almeida realiza estudo pioneiro sobre a presença de aves migratórias em dois ecossistemas de Aracaju 

Por Paulo Lima

                                                                                                                                                                               Paulo Lima
Que tipo de relação pode haver entre os dias calientes do verão de Aracaju e o inverno gelado de alguns países do Hemisfério Norte? Se o universo considerado for aves migratórias, tem tudo a ver. Fugindo do frio rigoroso de países como Canadá e Estados Unidos, muitas espécies abandonam o seu torrão de origem para se aventurar no espaço aéreo de regiões mais aquecidas do Hemisfério Sul. 

Como a rota de vôo é muito extensa, as aves não conseguem, ao contrário dos aviões, realizar um vôo non-stop. Precisam fazer paradas para descansar e abastecer as turbinas - algumas aves percorrem a incrível distância de doze mil quilômetros, numa percurso que vai do Alasca até a Terra do Fogo, na Patagônia.  É no pouso em entrepostos como Aracaju que as aves são alvo da observação de pesquisadores como Bruno Almeida, 21, estudante de Biologia da Universidade Federal de Sergipe.

Bolsista do CNPq/PIBIC, sob a orientação do professor Edson Barbieri, Bruno vem há treze meses se dedicando ao estudo sobre a permanência de aves migratórias nos manguezais da praia Treze de Julho e de Atalaia, dois ecossistemas por ele selecionados para os trabalhos de observação.

"Esse trabalho visa ampliar as informações sobre a avifauna", explica Bruno. O foco são as aves de mangue e de praia. De posse de um binóculo, ele observa e vai tomando nota. As saídas são realizadas duas vezes na semana, com tempos de uma a duas horas e meia. 

Ponto de parada

Até o momento, o estudo realizado revela que o estado de Sergipe é um importante ponto de parada na rota migratória de algumas aves.  Outra conclusão é que a intervenção do homem exerce influência sobre a distribuição e abundância dessas aves, principalmente nos fins de semana, por causa de uma maior presença de banhistas.

Ao todo, foram registradas a presença de dezoito espécies, entre "turistas" e nativas. O  quero-quero, por exemplo, popular entre os freqüentadores das zonas de praia por emitir um canto característico, é uma dessas aves residentes. 

O período de pico para a presença das visitantes que vêm do frio pode ser registrado entre os meses de outubro e janeiro. Estima-se que pelo menos 3.000 indivíduos, ou aves, conquistam as nossas praias e mangues fugindo do frio do Hemisfério Norte.

E, nessa parada, degustam invertebrados, tipo caranguejos, e absorvem um pouco do calor dos trópicos.  Ou seja, tudo o que pode haver  de melhor.

                  

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