
Webjornal - Quinzenal - Edição 67 - Aracaju, 24 de outubro
a 07 de novembro de 2004
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Reportagem Caçadores
de estrelas Texto e foto: Paulo Lima
Diariamente, a estação espacial ISA, uma geringonça de 90 mil kg, resultado de um consórcio de 15 países, passa sobre Aracaju navegando no espaço a uma distância de 367 km da Terra. O objeto poderia seguir sua rota silenciosa e incógnita, não fosse por um grupo de testemunhas cá embaixo. Uma vez por semana, Augusto César Almeida (foto), coordenador da Sociedade de Estudos Astronômicos de Sergipe (SEASE), pega o telefone e liga para sete pessoas. "Vai passar hoje a estação espacial". É a senha para que as pessoas do outro lado da linha se encontrem à meia noite na praia de Atalaia, para ver o ponto luminoso cruzar o céu. A sociedade foi criada em 2001, mas a experiência é mais antiga. Surgiu quando Augusto estudava Física na Universidade Federal de Sergipe. Lá ele ajudou a criar o grupo de astronomia Johannes Kepler, que chegou a contar com 65 membros. Mas não é somente estações espaciais em trânsito que os oito atuais membros da SEASE (entre profissionais de diversas áreas e estudantes) observam no céu. Neste ano, que significou um momento de pico na vida da Sociedade, eles já fizeram uma cobertura do trânsito de Vênus e de dois cometas. E planejam, para os dias 27 e 28 deste mês, fazer do eclipse total da lua um acontecimento compartilhado por um grande número de aracajuanos. Rotina de estudo A rotina da SEASE, porém, não se resume a convescotes especulativos sobre os mistérios do universo. O objetivo é mais amplo. A sociedade visa estudar e efetuar pesquisas em astronomia, desenvolver material didático para o ensino de Astronomia e divulgar esse conhecimento nas escolas. Com a cabeça nas estrelas mas os pés bem fincados no chão, a sociedade tem procurado participar de eventos e adquirir equipamentos, ampliando o arsenal dos instrumentos de observação que hoje estão resumidos a 2 telescópios (com capacidades de 183 e 193 vezes), vários binóculos e uma luneta. O grupo não estabelece exigências para o ingresso de novos sócios. Logo no início do curso, o candidato passa por um curso de astronomia de 20 horas, entre teoria e prática. Com a prática, ele aprende a lidar com instrumentos e programas. A mensalidade está a anos-luz de se tornar um impeditivo para o ingresso na sociedade - meros R$ 10,00 mensais. Nas reuniões realizadas aos sábados, às 14:30h, numa sala do Clube Cotinguiba, região central de Aracaju, esses senhores do universo debatem as últimas descobertas, que chegam ao conhecimento da Sociedade graças a uma rede de sites especializados. A cada reunião, pinçam um tema para debate. Ultimamente, um novo elemento entrou na órbita do grupo: a série Cosmos, um documentário em 13 episódios criado pelo astrofísico norte-americano Carl Sagan. A Sociedade dispõe de um banco com 1500 imagens. Ao longo desses três anos de funcionamento, realizou uma palestra com o professor Vanicson Lima Campos, doutor em teoria das cordas e origem do universo pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia. E participou do curso de astrofísica do sistema solar promovido pelo Observatório Nacional. Além disso, tomou parte do programa SETI, que busca sinais de vida extraterrestre. Para a Sociedade, haveriam provas cabais da existência de aliens nos confins do universo? "Acredito que existem", responde Augusto César, "mas desconfio das visitas à Terra". Afinal - acredita ele -, um ser dotado de inteligência superior, se fizer jus a esse nome, não vai escolher um planeta tão bagunçado para uma visita. *** |
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