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Reportagem
Futuro
mais limpo
Caminhão do Greenpeace
leva o conhecimento de novas fontes de energia a 21 cidades brasileiras
Por Arthuro
Paganini e Anderson Barbosa*
Fotos: Arthuro Paganini

O
Brasil é considerado, segundo pesquisadores, a principal potência energética
do mundo. É justamente isso que a organização não-governamental
Greenpeace está mostrando durante o trajeto da expedição “Energia
Positiva para o Brasil”. São diversas amostras de criações e exemplos
práticos de como os brasileiros podem aproveitar cada detalhe do território,
mostrando um país que precisa ser redescoberto e encarado com
responsabilidade ambiental. A exposição sobre as energias renováveis,
ou limpas, está sendo apresentada dentro de um contêiner, carregado por
um caminhão movido a biodiesel.
Até
o momento foram percorridos 14 mil quilômetros. No dia 4 de novembro, a
caravana passou por Aracaju. No total serão 21 cidades visitadas,
incluindo Brasília, onde está marcada uma audiência com o presidente
Lula para a entrega de um documento assinado pelos visitantes da exposição,
contendo informações sobre as potencialidades do Brasil em termos de
energia.
Quem
teve a oportunidade de conferir a exposição conheceu na prática alguns
exemplos de como podem ser aproveitadas as energias, a exemplo do próprio
contêiner, que é abastecido com a luz do sol. No teto foram instaladas
placas fotovoltaicas, que absorvem a energia dos raios solares, produzindo
energia suficiente para manter ligado um aparelho DVD, um televisor, lâmpadas,
um resfriador de ar e um computador. Para exemplificar melhor esse
processo, no contêiner está exposto o sistema de captação de energia
solar, que mede a potência gerada, assim como a maneira de armazenamento,
por meio de baterias recarregáveis. A monitora Karen Araújo explicou que
o Brasil, como outros países, já dispõe de uma produção quantitativa
e qualitativa para atender a população, e a utilização da energia
solar depende da consciência de cada cidadão e de ações políticas
eficazes.

No
contêiner são mostrados fotos e textos ressaltando a garantia de que
Brasil poderá ser uma grande potência, colaborando não apenas para o
seu desenvolvimento, como também ajudando os países próximos. O uso de
energias limpas, como a biomassa, o biocombustível, a eólica, o biogás
e a energia solar deverá garantir para as próximas gerações a sua
sobrevivência. Em contrapartida, a utilização constante de energia
nuclear, carvão mineral, gás natural e petróleo, consideradas energias
sujas, tem provocado uma redução na expectativa de vida da população
mundial. Essa referência tem mobilizado diversas instituições a fazerem
campanhas em defesa do meio ambiente, como a que o Greenpeace está
realizando.
Sentimento
de cidadania
Durante
a viagem um fato inesperado deixou cismada a tripulação da expedição.
O caminhão foi parado por policiais rodoviários na estrada próxima a
Vitória/ES. Na conversa, as autoridades alegaram que o caminhão não
poderia seguir viagem, devido à utilização de combustível produzido a
partir de óleos vegetais, ou seja, o biodiesel. Questionado pelos membros
do Greenpeace, os patrulheiros disseram que se tratava de uma questão de
segurança nacional. Ponto final.

Apesar
disso eles continuaram a viagem e seguiram percorrendo as capitais
brasileiras. Em Aracaju foi a primeira vez que o Greenpeace esteve
presente. Para alguns visitantes, como o estudante de engenharia
ambiental Rafael Figueiredo de Souza, a visita foi considerada satisfatória.
“Foi bastante educativa pois demonstrou vários métodos de como devem
ser empregadas as tecnologias baratas sem agredir o nosso meio
ambiente”, frisou o estudante. De acordo com André Macedo, que
acompanha a expedição como monitor, as pessoas ficam curiosas com a
presença da exposição e acabam descobrindo coisas interessantes. “Em
cada cidade as pessoas ficam felizes quando recebem a visita do Greenpeace,
muitas vezes pela importância mundial da organização. Elas ficam
surpresas com as informações, como por exemplo aquecer a água do
chuveiro de graça, fazendo eles mesmo um coletor solar de baixo custo. E
nosso trabalho tem sido gerar o sentimento de cidadania, fazendo com que
cada um perceba que pode fazer a diferença”, esclarece André.
Não
só do sol pode ser gerada a energia. Como prova disso a expedição
colocou à mostra uma pequena turbina eólica, com capacidade de produzir
energia equivalente a 400w, o suficiente para manter quatro lâmpadas
acesas. A fonte utilizada é a força do vento, meio que vem sendo
bastante utilizado no sertão do Ceará para o abastecimento de fazendas.
Para isso são utilizados modernos aerogeradores, desenvolvidos por agências
aeroespaciais, como também moinhos e cata-ventos. As pesquisas na área
apontam que o Brasil pode gerar 85 mil MW (megawats) de energia com a
captação dos ventos. O país gera atualmente, somando todas as fontes
energéticas, cerca de 74 mil MW, sendo a Chesf, empresa que abastece todo
o Nordeste, responsável por 5 mil MW. E é justamente no Nordeste onde a
produção de energia por meio de ventos alcançará seu potencial máximo.
De acordo com pesquisadores, a região pode produzir cerca de 20 mil MW,
capacidade suficiente para acabar de vez com a falta de energia na região
e ainda abastecer os estados mais próximos.

A
coordenadora da expedição, Gabriela Vuolo, explica que a iniciativa
surgiu no ano de 2002 na África do Sul. “O primeiro contêiner foi
construído para atender uma comunidade isolada do país e hoje promove o
desenvolvimento local da comunidade”, disse. Após isso, outros países,
como o Brasil, China, Índia, Tailândia e México, fizeram uma réplica
com o intuito de difundir para a população a importância em utilizar
energias limpas. No Brasil o contêiner está sendo levado para o Amapá,
onde servirá como fonte energética para uma comunidade de castanheiros.
“A nossa proposta é apresentar um outro de tipo de geração de
energia. Esta é uma comunidade isolada da rede elétrica e, portanto,
eles dependem do diesel, um combustível fóssil, que é poluente e é
vendido a preço alto”, enfatizou a coordenadora.
A
curiosidade não ficou apenas restrita às criações sobre energia.
Produtos reciclados também chamaram a atenção do publico. A mesa onde
fica o computador e a lista de presença é feita totalmente com tubos de
pasta de dente. O piso é um compensado de madeira com certificado do FSC
Brasil (Conselho de Manejo Florestal. Os matériais informativos são
todos produzidos com papéis reciclados. Também foi entregue aos
visitantes um guia do consumidor com uma lista de produtos com ou sem
transgênicos.
*Estudantes
de Jornalismo da Universidade Tiradentes (SE)
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