Webjornal - Quinzenal  - Edição 74 - Aracaju,  13 a 27 de fevereiro de 2005
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Reportagem

Serenidade em época de orgia

No feriado de muito tumulto, um cantinho de plenitude

Por Júlia Gaspar*

Em meio a folias e bagunças naturais na época do Carnaval, há quem prefira a calmaria e a fé.  Assim aconteceu na Sociedade Budista do Brasil, em Santa Teresa (RJ), que reuniu adeptos em todos os dias do Carnaval com meditações, cerimônias e esclarecimentos sobre a doutrina.

Num jardim, em frente a uma fonte, reside o templo.  Sem vaidades, o lugar se torna belo pela simplicidade.  Permeado pela natureza, manifesta aconchego.  Por esta tranqüilidade várias pessoas trocaram o samba e a desordem, na busca da paz e da felicidade.

O Venerável Dr. Puhulwelle Vipassi é o monge residente.  Graduado pela Universidade de Keleniya, Sri Lanka, em Estudos Orientais, Oferecimentos, Cingalês, Páli e Economia.  Lecionou em diversos colégios do Governo do Sri Lanka; propagou o budismo no exterior e escreveu vários livros.  Hoje, A Sociedade Budista do Brasil tem a honra de contar com os seus trabalhos.

O Buddha e os seus ensinamentos

O príncipe Siddharta Gautama nasceu no norte da Índia.  Casou-se e teve um filho, porém sentia necessidade de uma reflexão sobre o mundo.  Então abandonou a vida nobre e a família, partindo em busca da Verdade.  Na sua jornada obteve ensinamentos de mestres, mas estes não lhe traziam satisfação para todas as suas questões.

Siddharta tornou-se Buddha apenas depois que encontrou a Verdade, conquistando a iluminação almejada.  Este êxito foi adquirido quando, após banhar-se no rio Neranjara,  sentou-se sob uma figueira e meditou.

Ao alcançar a plenitude, o Buddha pregou ensinamentos, os quais são seguidos pelos seus adeptos até os dias de hoje. São estes:

As Quatro Nobres Verdades  (a Verdade da Existência do Sofrimento,  a Verdade da Origem do Sofrimento, a Verdade da Extinção do Sofrimento e a Verdade do Caminho que conduz à Extinção do Sofrimento).

Para o Buddha, a causa do sofrimento é a ignorância e esta só pode ser extinta através do Nobre Caminho Óctuplo, também conhecido como O Caminho do Meio, que consiste na Compreensão Correta, no Pensamento Correto, na Palavra Correta, na Conduta Correta, no Meio de Vida Correto, no Esforço Correto, na Plena Atenção Correta e na Concentração Correta.   Este Caminho foi por Ele comparado às cordas de um instrumento que não dão bom som quando muito esticadas, assim como quando estão frouxas demais.

Buddha também demarcou Os Cinco Preceitos  (Abstenção de Destruir os Seres Vivos, Abstenção de Tomar o que não for Dado, Abstenção da Má Conduta Sexual, Abstenção da Palavra Falsa, Abstenção de Tomar Substâncias que Perturbam a Mente).

A doutrina prega o desapego e a libertação de paixões mentais.  Mas desacredita em jejuns ou mortificações, pois considera que o corpo deve ser bem tratado e alimentado o suficiente para obter energias e desempenhar suas funções.

Meditação

Seu Jorge auxilia o monge nos trabalhos e explica que a base da meditação é a concentração.  Através desta é possível a sublimação, a introspecção e a felicidade plena.

Em posição de lótus ou meio-lótus, ou simplesmente de pernas cruzadas a maioria dos budistas medita.  Mas o importante é estar confortável.  Sem tensão, com a postura ereta, coloca-se uma mão sobre a outra e os polegares encostados para obter um melhor equilíbrio.

É necessário que a respiração esteja correta e, em caso de distrações, a renúncia a pensamentos mundanos.  A prática da meditação não é exercida apenas pelos budistas.  Muitas pessoas a adotaram como método de relaxamento.

Quando inspirar, acalme o seu corpo e sua mente.  Quando expirar, sorria residindo no presente que é o momento mais importante que possui.  (Sociedade Budista do Brasil)

* Estudante de jornalismo das Faculdades Integradas Hélio Alonso (RJ)

                        

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