|
Reportagem
Serenidade
em época de orgia
No
feriado de muito tumulto, um cantinho de plenitude
Por Júlia Gaspar*

Em meio a folias e bagunças
naturais na época do Carnaval, há quem prefira a calmaria e a fé.
Assim aconteceu na Sociedade Budista do Brasil, em Santa Teresa (RJ), que reuniu
adeptos em todos os dias do Carnaval com meditações, cerimônias e
esclarecimentos sobre a doutrina.
Num jardim, em frente a uma
fonte, reside o templo. Sem
vaidades, o lugar se torna belo pela simplicidade.
Permeado pela natureza, manifesta aconchego. Por esta tranqüilidade várias pessoas trocaram o samba e a
desordem, na busca da paz e da felicidade.
O Venerável Dr. Puhulwelle
Vipassi é o monge residente. Graduado
pela Universidade de Keleniya, Sri Lanka, em Estudos Orientais,
Oferecimentos, Cingalês, Páli e Economia.
Lecionou em diversos colégios do Governo do Sri Lanka; propagou o
budismo no exterior e escreveu vários livros.
Hoje, A Sociedade Budista do
Brasil tem a honra de contar com os seus trabalhos.
O Buddha e os seus ensinamentos
O príncipe Siddharta Gautama
nasceu no norte da Índia. Casou-se
e teve um filho, porém sentia necessidade de uma reflexão sobre o mundo.
Então abandonou a vida nobre e a família, partindo em busca da
Verdade. Na sua jornada
obteve ensinamentos de mestres, mas estes não lhe traziam satisfação
para todas as suas questões.
Siddharta tornou-se Buddha apenas
depois que encontrou a Verdade, conquistando a iluminação almejada.
Este êxito foi adquirido quando, após banhar-se no rio Neranjara,
sentou-se sob uma figueira e meditou.
Ao alcançar a plenitude, o
Buddha pregou ensinamentos, os quais são seguidos pelos seus adeptos até
os dias de hoje. São estes:
As Quatro Nobres Verdades (a Verdade da Existência do Sofrimento, a Verdade da Origem do Sofrimento, a Verdade da Extinção do
Sofrimento e a Verdade do Caminho que conduz à Extinção do Sofrimento).
Para o Buddha, a causa do
sofrimento é a ignorância e esta só pode ser extinta através do Nobre
Caminho Óctuplo, também conhecido como O
Caminho do Meio, que consiste na Compreensão Correta, no Pensamento
Correto, na Palavra Correta, na Conduta Correta, no Meio de Vida Correto,
no Esforço Correto, na Plena Atenção Correta e na Concentração
Correta. Este Caminho
foi por Ele comparado às cordas de um instrumento que não dão bom
som quando muito esticadas, assim como quando estão frouxas demais.
Buddha também demarcou Os
Cinco Preceitos (Abstenção
de Destruir os Seres Vivos, Abstenção de Tomar o que não for Dado,
Abstenção da Má Conduta Sexual, Abstenção da Palavra Falsa, Abstenção
de Tomar Substâncias que Perturbam a Mente).
A doutrina prega o desapego e a
libertação de paixões mentais. Mas
desacredita em jejuns ou mortificações, pois considera que o corpo deve
ser bem tratado e alimentado o suficiente para obter energias e
desempenhar suas funções.
Meditação
Seu Jorge auxilia o monge nos
trabalhos e explica que a base da meditação é a concentração.
Através desta é possível a sublimação, a introspecção e a
felicidade plena.
Em posição de lótus ou meio-lótus,
ou simplesmente de pernas cruzadas a maioria dos budistas medita.
Mas o importante é estar confortável.
Sem tensão, com a postura ereta, coloca-se uma mão sobre a outra
e os polegares encostados para obter um melhor equilíbrio.
É necessário que a respiração
esteja correta e, em caso de distrações, a renúncia a pensamentos
mundanos. A prática da
meditação não é exercida apenas pelos budistas.
Muitas pessoas a adotaram como método de relaxamento.
Quando inspirar, acalme o seu corpo e sua mente.
Quando expirar, sorria residindo no presente que é o momento mais
importante que possui.
(Sociedade Budista do Brasil)
* Estudante de jornalismo das Faculdades Integradas Hélio
Alonso (RJ)
|