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Reportagem
ECA completa 15 anos
Falta de investimentos dificulta realização integral do Estatuto da
Criança e do Adolescente
Por
Júlia Gaspar*
Foto: Divulgação/Arte BN

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei
número 8069/90, completou, no dia 13 de julho, 15 anos de criação. Através
deste, muita coisa mudou, algumas ficaram apenas na teoria, outras já
fazem parte do cotidiano de meninos e meninas.
Segundo Lucy Francisca Pereira, conselheira tutelar da área
do Centro do Rio de Janeiro pelo segundo mandato, muitas crianças e
adolescentes deixam de passar por maus tratos graças à ação do conselheiro
tutelar. Criado a partir do ECA, o Conselho Tutelar é encarregado de
atender crianças e adolescentes que tenham direitos ameaçados ou violados.
Sheila dos Santos Fonseca, conselheira tutelar da área da
Zona Sul do Rio de Janeiro também há dois mandatos, afirma: “O que temos
para comemorar de avanço é a mudança de foco do olhar da pobreza. A
questão da criminalização da pobreza mudou. Hoje, criança e adolescente
não têm classe social, todos são sujeitos de direitos perante a lei.”
Josana de Liniz Amorim, psicóloga do conselho tutelar de
Vila Isabel completou: “Há quinze anos atrás, com a queda do código de
menores e sua substituição pelo Estatuto, todas as crianças e adolescentes
passaram a ser vistos enquanto sujeitos de direitos. E o conselho tutelar
e sua equipe têm a função de fazer cumprir esses direitos e garantir a
proteção integral de crianças e adolescentes, enquanto sujeitos em
desenvolvimento.”
Antes do ECA, as crianças e adolescentes não tinham mais
que um artigo na constituição de 1988, por isso a importância de sua
criação. Mas, na prática, não é integralmente cumprido. Basta observar o
número de crianças nas ruas vendendo doces, cheirando cola e dormindo nas
calçadas, ao mesmo tempo em que direitos à saúde, educação, cultura e
dignidade estão previstos no Estatuto.
Pode-se entender o problema do descumprimento desses
direitos pela falta de verba, ou a falta de prioridade. Mas, segundo
reportagem de Ruben Berta, no Caderno Especial do jornal O Globo do dia 10
de julho, “O estado e a prefeitura só aplicaram em
2004 a metade dos R$
102,6 milhões previstos no orçamento para projetos sociais de menores
abandonados”.
Uma grande barreira ao cumprimento do ECA é o desconhecimento
da sociedade brasileira. Um caminho seria a criação de campanhas sobre o
mesmo, a fim de torná-lo ao alcance de todos, desta forma, haveria mais
pressão à aplicação desses direitos. Mas a grande mídia pouco investe no
tema.
*Estudante de jornalismo das Faculdades
Integradas Hélio Alonso
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