Webjornal - Mensal  - Edição 82 - Aracaju, 11 de setembro a 09 de outubro  de 2005
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Reportagem

Contra o esquecimento

Exercícios aeróbicos são indicados como o melhor caminho para a saúde da memória

Por Paulo Lima

De pílulas milagrosas a exercícios mentais, de tudo um pouco tem sido recomendado para que se possa manter uma memória saudável. Mas o segredo pode estar numa região situada no outro extremo do corpo: os pés. Ou as pernas. Ou melhor, o negócio é andar e correr.

Numa palavra, exercícios aeróbicos fazem bem à memória.

Quem garante o adjutório é a revista Nature, em matéria divulgada em sua edição online de setembro.

"Exercitar o corpo permite que às novas células brotem e façam mais conexões, as quais, por sua vez, ajudam a preservar os lóbulos frontais - a área do cérebro onde o envelhecimento é mais observado", diz a revista.

A preservação da memória é uma preocupação crescente de especialistas, uma vez que aumentou muito nos últimos anos a faixa da população mundial acima dos 60 anos. E é exatamente esse grupo de pessoas que tem sido mais atingido pelos males do esquecimento.

Estudos a respeito ainda não chegaram a uma conclusão do seguinte: a deterioração do processo de armazenamento de informações é inerente à idade - normalmente observado já a partir dos 40, 50 anos -, ou se deve ao incessante bombardeio de informações a que estamos submetidos no mundo moderno?

Seja como for, a prevenção ainda é o melhor remédio. Quanto mais cedo for diagnosticado o problema, mais fácil será deter a evolução da perda da memória.

Em seus estudos sobre os ingredientes da boa saúde mental, Ian Robertson, da Universidade de Dublin, examinou dez anos de pesquisas sobre o assunto. Ele concluiu que boa alimentação, educação e pensamento positivo são fundamentais para manter a mente jovem. Segundo Robertson, porém, o fator mais importante é a aeróbica. "Ela tem um efeito notável sobre a estrutura sobre a estrutura e funcionamento do cérebro", revelou ele à Nature.

Em uma dessas pesquisas considerou-se um grupo de pessoas com mais de 60 anos engajadas num intenso programa de caminhadas que durou quatro meses. Comparou-se esse grupo a um outro de sedentários. Ao final, os andarilhos apresentaram melhores condições cardiovasculares, de memória e atenção.

"Exercícios ajudam o cérebro a produzir uma substância química chamado brain-derived neurotrophic factor (BDNF), que cria cria células cerebrais e conexões. Novas capilaridades também crescem com exercício, alimentando essas células e conexões, as quais, de outro modo, murchariam sob a pressão da idade", explicou a Nature.  

"Depois dos 50 anos", disse Ian Robertson, "exercício é uma espécie de droga maravilhosa que o manterá mentalmente ágil, menos esquecido e retardará a perda de atividade".

Embora indique com ênfase os benefícios de um corpo ativo para uma boa saúde da memória, Robertson não descarta outros recursos. Exercícios mentais também auxiliam o cérebro a se manter ativo. Robertson recomenda que se use a mente o máximo possível, e que se possa aprender a relacionar informações a imagens ou sons, de modo a fortalecer a memória.

É preciso também, segundo Robertson, evitar auto-referências que utilizem adjetivos como "grisalho" ou "velho". Melhor é pensar em termos de "saudável" e "ativo". Estudos têm demonstrado que o simples fato de se pensar dessa forma pode afetar comportamentos.

A fórmula de Ian Robertson, no fundo, renova a velha máxima de corpo são em mente sã. Por tabela, a memória será positivamente afetada.   

                        

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