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Reportagem
Embaixador dos sete mares
O "Cisne Branco" representa o Brasil em eventos náuticos nacionais e
internacionais
Texto e foto: Antônio Carlos Silva Ferreira*

Quando eu
soube, pela imprensa, que o veleiro “Cisne Branco” da Marinha do Brasil
estava ancorado no Porto Salvador, resolvi visitá-lo sabendo que deveria
ser um passeio interessante. Na adolescência eu adquiri o hábito de
visitar navios da Marinha dos EUA que aportavam em Salvador na chamada
Operação Unitas, como forma de praticar inglês que eu estudava como
autodidata. Fiquei tão fascinado em conhecer o interior de destróieres,
submarinos, porta-aviões e fragatas que não mais importava a nacionalidade
nem o idioma falado a bordo. Na minha lista de navios visitados já
constavam também os veleiros Sagres (Portugal), Libertad (Argentina),
Capitán Miranda (Uruguai) e Juan Sebastián de Elcano (Espanha) que servem
como navios-escola das marinhas dos seus respectivos países. Agora era
chegada a vez do nosso “Cisne Branco”.
A história do navio
Construído num
estaleiro da Holanda, no ano 1999, como veleiro de instrução e
treinamento, o “Cisne Branco” foi incorporado, no ano seguinte, à Marinha
do Brasil. Neste mesmo ano de 2000 fez sua viagem inaugural, de Portugal
ao Brasil, em celebração aos 500 anos do descobrimento, atravessando o
Atlântico da mesma forma que fez Pedro Álvares Cabral em 1500, inclusive
com as mesmas datas de saída e chegada.
No navio, construído em
aço com alta tecnologia e modernos instrumentos, preserva-se a cultura de
tradições e costumes navais que forjaram os marinheiros do passado. Além
de servir à formação marinheira do pessoal da Armada Brasileira, o navio
tem a missão de fomentar a mentalidade marítima
em nossa sociedade, cultuar as tradições navais e representar o
Brasil em eventos náuticos nacionais e internacionais.
O “Cisne Branco” tem 76
m de comprimento por 10,50 m de boca (largura) e 4,80 m calado (altura da
parte submersa do caso). O mastro principal tem 46,40 m de altura e as
velas somam 2.195 m 2 . O navio é dotado de 01 motor
Caterpillar a diesel e desenvolve até 11 nós (milhas) por hora com motor e
17,5 nós a vela. A tripulação é formada por 01 Capitão de Mar-e-Guerra, 09
Oficiais, 41 tripulantes e até 31 trainees.
A
Visita
Na nossa visita
conhecemos a área de máquinas, o equipamento conversor de água do mar em
água potável, lavanderias, salão de refeições e a cozinha. O marinheiro
que nos guiou informou-nos que os membros da tripulação se revezam na
tarefa de ajudar na cozinha incluindo o emblemático descascar batatas.
Estar no “Cisne Branco”
é como um prêmio, é um desejo de todo marinheiro brasileiro. Nos contou um
sargento que para ali são designados os melhores alunos, os de melhor nota
nos exames internos da Marinha. Uma das vantagens de se fazer parte da
tripulação do “Cisne Branco” são as constantes viagens. Quando da nossa
visita o navio acabara de chegar da Regata Recife-Fernando de Noronha e
antes estivera em diversos portos da França , Portugal e Inglaterra. Nosso
amigo sargento nos contou: “Em Portsmouth, na Inglaterra, participamos das
comemorações dos 200 anos da Batalha de Trafalgar, em junho, juntamente
com mais de 160 navios de 35 países”.
A tripulação do “Cisne
Branco” é bastante simpática e recebe os visitantes com alegria e música a
bordo. No domingo em que lá estivemos não se viam muitos visitantes, mas
soubemos que o navio faz sucesso nos portos de todo mundo e que já haviam
contabilizado informalmente, mais de 10 mil visitantes em um porto
europeu. Certamente que a beleza do navio e hospitalidade da tripulação
são os grandes responsáveis por esta afluência expressiva de público.
Afinal, o nosso belo Cisne desempenha com louvor o papel de Embaixador dos
Brasil nos mares do mundo. E é motivo de orgulho não só para a Marinha do
Brasil como também para qualquer brasileiro que tenha o prazer de estar a
bordo ou de apenas vê-lo desfraldando elegantemente a bandeira nacional.
*Fotógrafo amador, ex-
publicitário e bancário da Caixa Econômica Federal. Reside em Salvador
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