Webjornal - Mensal  - Edição 84 - Aracaju,  06 de novembro a 11 de dezembro  de 2005
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Reportagem

Embaixador dos sete mares

O "Cisne Branco" representa o Brasil em eventos náuticos nacionais e internacionais

Texto e foto: Antônio Carlos Silva Ferreira*

Quando eu soube, pela imprensa, que o veleiro “Cisne Branco” da Marinha do Brasil estava ancorado no Porto Salvador, resolvi visitá-lo sabendo que deveria ser um passeio interessante. Na adolescência eu adquiri o hábito de visitar navios da Marinha dos EUA que aportavam em Salvador na chamada Operação Unitas, como forma de praticar inglês que eu estudava como autodidata. Fiquei tão fascinado em conhecer o interior de destróieres, submarinos, porta-aviões e fragatas que não mais importava a nacionalidade nem o idioma falado a bordo. Na minha lista de navios visitados já constavam também os veleiros Sagres (Portugal), Libertad (Argentina), Capitán Miranda (Uruguai) e Juan Sebastián de Elcano (Espanha) que servem como navios-escola das marinhas dos seus respectivos países.  Agora era  chegada a vez do nosso “Cisne Branco”.

A história do navio

Construído num estaleiro da Holanda, no ano 1999, como veleiro de instrução e treinamento, o “Cisne Branco” foi incorporado, no ano seguinte, à Marinha do Brasil. Neste mesmo ano de 2000 fez sua viagem inaugural, de Portugal ao Brasil, em celebração aos 500 anos do descobrimento, atravessando o Atlântico da mesma forma que fez Pedro Álvares Cabral em 1500, inclusive com as mesmas datas de saída e chegada.

No navio, construído em aço com alta tecnologia e modernos instrumentos, preserva-se a cultura de tradições e costumes navais que forjaram os marinheiros do passado.  Além de servir à formação marinheira do pessoal da Armada Brasileira, o navio tem a missão de fomentar a mentalidade marítima em nossa sociedade, cultuar as tradições navais e representar o Brasil em eventos náuticos nacionais e internacionais.

O “Cisne Branco” tem 76 m de comprimento por 10,50 m de boca (largura) e 4,80 m calado (altura da parte submersa do caso). O mastro principal tem 46,40 m de altura e as velas somam 2.195 m 2  . O navio é dotado de 01 motor Caterpillar a diesel e desenvolve até 11 nós (milhas) por hora com motor e 17,5 nós a vela. A tripulação é formada por 01 Capitão de Mar-e-Guerra, 09 Oficiais, 41 tripulantes e até 31 trainees.

A Visita

Na nossa visita conhecemos a área de máquinas, o equipamento conversor de água do mar em água potável, lavanderias, salão de refeições e a cozinha. O marinheiro que nos guiou informou-nos que os membros da tripulação se revezam na tarefa de ajudar na cozinha incluindo o emblemático descascar batatas.

Estar no “Cisne Branco” é como um prêmio, é um desejo de todo marinheiro brasileiro. Nos contou um sargento que para ali são designados os melhores alunos, os de melhor nota nos exames internos da Marinha. Uma das vantagens de se fazer parte da tripulação do “Cisne Branco” são as constantes viagens. Quando da nossa visita o navio acabara de chegar da Regata Recife-Fernando de Noronha e antes estivera em diversos portos da França , Portugal e Inglaterra. Nosso amigo sargento nos contou: “Em Portsmouth, na Inglaterra, participamos das comemorações dos 200 anos da Batalha de Trafalgar, em junho, juntamente com mais de 160 navios de 35 países”.

A tripulação do “Cisne Branco” é bastante simpática e recebe os visitantes com alegria e música a bordo. No domingo em que lá estivemos não se viam muitos visitantes, mas soubemos que o navio faz sucesso nos portos de todo mundo e que já haviam contabilizado informalmente, mais de 10 mil visitantes em um porto europeu. Certamente que a beleza do navio e hospitalidade da tripulação são os grandes responsáveis por esta afluência expressiva de público.  Afinal, o nosso belo Cisne desempenha com louvor o papel de Embaixador dos Brasil nos mares do mundo. E é motivo de orgulho não só para a Marinha do Brasil como também para qualquer brasileiro que tenha o prazer de estar a bordo ou de apenas vê-lo desfraldando elegantemente a bandeira nacional.

*Fotógrafo amador, ex- publicitário e bancário da Caixa Econômica Federal. Reside em Salvador

                        

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