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Reportagem
A volta das figurinhas**
Um hobby que já foi a mania das crianças
renasce com toda a força em Niterói e atrai adultos
Por
Paulo Marcio Vaz*
Foto Peter Llicciev

Não há mais
video-game, computador ou programa de TV que os segure em casa. A mais
nova onda em Niterói para crianças, adolescentes, adultos e idosos -
principalmente nos finais de semana - é sair às ruas para trocar
figurinhas. Gente de todas as idades e classes sociais se encontra, em
geral próximo às bancas de jornais. E começam as negociações:
- Meu Ronaldinho eu
só troco por cinco figurinhas!
- Que isso, rapaz!
Assim não dá!
- Ué, se o senhor
não quiser, eu troco com aquele moço ali...
-Tá bom, vai...passa
pra cá.
O diálogo acima se
dá entre o garoto Matheus, de 12 anos, e o professor João Vidal, de 43,
que acaba cedendo: “Aqui quem manda é a garotada”, diz o professor.
Quem chega pela
primeira vez aos sábados ou domingos de manhã na esquina das ruas Tavares
de Macedo com Presidente Backer, em Icaraí, se surpreende com o movimento.
No último sábado, cerca de 300 pessoas circulavam na área com um único
objetivo: conseguir o máximo de figurinhas para seus álbuns. A funcionária
da banca de jornais, Ana Carla, de 20 anos, já não se espanta mais com o
movimento:
“Quando meu irmão
comprou a banca, essa loucura já existia. Eu acho que a gente perde um
pouco da privacidade e também acabamos sempre fechando mais tarde mas, no
fim das contas, eu me divirto”, conta Ana.
Jogo de bafo –
Essa
verdadeira febre das figurinhas acabou trazendo de volta algumas velhas
brincadeiras, como o jogo de bafo, no qual os colecionadores juntam suas
figurinhas de cabeça para baixo numa pilha e tentam virá-las batendo com a
mão em cima da pilha de figurinhas. Quem virar, leva.
“Mas não vale
encostar nas figurinhas!”, alerta o menino Matheus, de 12 anos, que
“enfrenta” seu mais novo amigo Vinícius, de 7, que acabou de conhecer.
Alguns se aproveitam
da situação para também faturar um troco a mais. É o caso do flamenguista
Max Júnior, 28 anos, que nos finais de semana reforça o orçamento vendendo
suas figurinhas na área. Ele já se tornou popular entre os colecionadores:
“Durante a semana eu
vendo cartões telefônicos no Centro. Mas sábado e domingo estou sempre
aqui. É uma loucura. Eu sonho com números, escudos, jogadores de futebol e
nem durmo direito”, diz Max, enquanto atende uma vovó que negocia o escudo
da CBF por 1 real para seu netinho, de 3 anos.
Preços -
No mercado, as
figurinhas com os escudos das seleções - chamadas de “prateadas” - custam
mais caro, podendo variar entre R$ 1 e R$ 3 cada. Já o cromo de um jogador
comum sai por R$ 0,10, podendo chegar a R$ 0,30.
“Mas já vi gente
cobrando até R$ 15 por uma figurinha, diz Kauê Monassa, dono da banca de
jornais Simpatia, na esquina das ruas Moreira César e Comendador
Queiroz, ainda em Niterói, que também apostou no mercado das figurinhas.
“Quando vi o
movimento em torno da banca da Tavares de Macedo, resolvi copiar a idéia”,
confessa Kauê.
O clima da
Comendador Queiroz é mais tranqüilo e familiar, com mesas e cadeiras onde
os “comerciantes” fazem negócios. Na Simpatia também há promoções. Quem
comprar a partir de cinco reais em figurinhas tem direito a estourar um
balão de gás, onde pode estar contido um vale-empada (que pode ser trocado
na carrocinha da esquina) ou 10 pacotes de figurinhas.
“Fui o primeiro a
estourar o balão!”, conta, com orgulho, o menino Eduardo, de 11 anos que
apesar de não ter ganho nada, mostra o brilho nos olhos de quem, naquela
hora, nem lembra mais do computador e do vídeo-game. Os pais agradecem.
*Estudante
de jornalismo da Facha, RJ, e repórter do jornal O
Fluminense, de Niterói/RJ, onde a matéria foi originalmente publicada
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