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Reportagem
O jabá com os dias contados
Audiência pública com a presença de
músicos e autoridades debate projeto de lei que prevê punição para
veículos de comunicação que adotam a prática
Por Paulo
Marcio Vaz*
Foto Divulgação

O jabá –
prática ilícita de comercialização da programação cultural por parte de
veículos de comunicação - foi o tema de uma audiência pública realizada na
última quarta-feira, dia 2 de agosto, na Assembléia Legislativa do Estado
do Rio de Janeiro.
Promovida pelos
deputados Carlos Minc (na foto, de gravata, ao lado do músico Leo
Gandelman, à esquerda) e Gilberto Palmares e também pelo movimento Jabasta,
a audiência contou também com a participação de representantes de
entidades ligadas aos músicos, como a presidente do Sindicato dos Músicos
do Estado do Rio de Janeiro (SindMusi), Déborah Cheyne, e o coordenador da
Rede Social da Música, Egeu Laus.
O objetivo principal
da audiência foi o de apresentar aos interessados o Projeto de Lei
3323/06, de autoria do deputado Carlos Minc, que trata do combate ao jabá
e prevê punições aos veículos de comunicação que adotam tal prática.
Também presentes à
audiência, os músicos Lobão, Léo Gandelman, Marcelo Yuca e Dado
Villa-Lobos expuseram suas idéias em relação ao combate ao jabá. Segundo
Marcelo Yuca, a prática já se tornou tão banal que chega a ser assumida
publicamente, como no caso do proprietário da rádio Jovem Pan de São
Paulo, o empresário Tutinha que, em recente entrevista à revista Playboy,
reconheceu que pratica o jabá. Ainda segundo Yuca, após a declaração,
Tutinha deveria ter sido preso.O músico Lobão concorda e vai além,
criticando também a postura do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, em
relação ao assunto.
Sobre o projeto de
lei proposto por Minc, uma série de sugestões foram oferecidas ao deputado
com o intuito de melhorar o texto e abranger ainda mais o combate à
prática do jabá. Uma das sugestões propostas e prontamente aceitas pelo
deputado foi dada pela presidente do SindMusi:
“O Projeto de Lei
prevê multa ínfima para quem for pego praticando o jabá, sendo preferível
para os donos das rádios, por exemplo, pagar a multa e continuar com a
prática. Tirar a rádio ou o programa do ar temporariamente poderia ser uma
sansão mais eficaz”, sugeriu Déborah Cheyne.
A representante do
movimento Jabasta, Bia Grabois, lembrou que os canais de rádio e TV
são concessões públicas e deveriam servir aos interesses do povo e não dos
proprietários das empresas de comunicação.
O músico Dado
Villa-Lobos também foi um dos que participaram da audiência. Segundo ele,
“a luta contra o jabá não tem mais volta. Temos que ir até o fim”. A
opinião é compartilhada pelo vereador André Diniz, de Niterói, cidade
vizinha separada do Rio pela Baía de Guanabara:
“Podem contar com o
outro lado da Baía nessa causa”, disse Diniz.
Ao fim da audiência,
o deputado estadual Carlos Minc se comprometeu a analisar todas as
sugestões para dar ao projeto de lei o caráter mais eficaz possível.
*Estudante de jornalismo da
Facha/RJ e repórter do jornal O Fluminense, de Niterói
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