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Reportagem
Uma outra Niterói
Além das praias, parques e museus, a
cidade mostra o seu lado histórico
Texto e
foto Fabiane Moreira*

Niterói é conhecida por suas
belas praias, fortalezas de quase cinco séculos, reservas, parques e
museus, que seduzem centenas de turistas todos os anos.
Mas os atrativos não param por aí. Diante das
águas da Baía de Guanabara e das inusitadas obras de Oscar Niemeyer, a
cidade guarda a sua história na arquitetura de suas igrejas.
Passear pelas ruas de Niterói e visitar as igrejas
é como retornar ao passado. Segundo o historiador Luiz Antonio Pimentel,
através das igrejas mais antigas é possível contar a história da cidade.
Ele afirma que como antigamente não existia
cimento, elas eram construídas com um material mais resistente, que
incluía óleo de baleia. “Esse material fez com que as igrejas durassem
para sempre”, diz.
O historiador conta que a primeira igreja a ser
construída nas terras de Niterói foi a Igreja de São Lourenço dos Índios,
considerada uma das mais antigas do Brasil. Para explicar a importância
dela, Luiz Antonio cita um poema de Vilmar Lassance: “A Igreja de São
Lourenço / que o tempo jamais destrói / é um marco cheirando a incenso /
de onde nasceu Niterói”.
Localizada no bairro de São Lourenço, a Igreja de
São Lourenço dos Índios representa o monumento de fundação da cidade. A
origem dela está relacionada ao assentamento dos índios no local no fim do
século XVI.
De arquitetura jesuítica, a humilde igreja,
construída no alto de um morro, abriga um altar-mor, que ainda guarda
algumas relíquias de valor incalculável como a imagem de São Lourenço, um
lavabo de pedra portuguesa e um retábulo de madeira, considerado uma das
mais belas obras da arte jesuítica.
Hoje, tombada pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é a única no gênero que lembra a
sesmaria de Araribóia, o ventre, a matriz de onde surgiu Niterói.
Uma preciosidade da época do Brasil-colônia,
erguida em uma pequena colina entre as praias de São Francisco e Charitas,
a Igreja de São Francisco Xavier é marcada por seu estilo
barroco-jesuítico.
A igreja também guarda em seu interior raridades
como a imagem de São Francisco Xavier em madeira laminada em ouro, a pia
bastimal feita de barro cozido pelos índios, o relógio de sol, uma imagem
esculpida em pedra-sabão, atribuída ao Aleijadinho, e um sino de bronze.
Outro cartão-postal de Niterói é a Igreja Nossa
Senhora da Boa Viagem. Localizada no alto da ilha do mesmo nome, ela beira
a Baía de Guanabara e compõe o belo visual ao lado do Museu de Arte
Contemporânea (MAC) de Niterói.
Com um estilo Barroco e Gótico, a igreja foi
construída em meados do século XVII e também pertence ao IPHAN. Desde
1909, ela já foi reconstruída duas vezes devido aos incêndios que a
destruíram. Em 1918, a imagem de Nossa Senhora foi recolhida da igreja,
mas uma procissão marítima, em 1934, trouxe de volta a imagem da
padroeira.
Para quem aprecia instrumentos de época, a
Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, construída em 1902 com seu estilo
Gótico e Árabe e situada no bairro de Santa Rosa, abriga o maior órgão de
tubos da América Latina, considerado o quinto do mundo pela sua
grandiosidade. Vindo da Itália, ele foi inaugurado em abril de 1956. Hoje,
funciona perfeitamente com a ajuda de cinco computadores e mais de 11mil
tubos.
*Repórter do jornal
O Fluminense, de Niterói/RJ
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