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Jornalismo
Gênios e
rabugentos
Por
Rodrigo Marinheiro*
Na Trilogia Tebana, escrita no ano
de 247 a.C., Sófocles já alertava a humanidade sobre a enfermidade que
seria evitar o novo, evitar o destino. Faz parte da história a destruição
dos ídolos de barro, a queda dos fortes, o fim trágico de uma visão doce
da realidade que repentinamente se expira. Um passado glorioso não garante
nada no futuro se as regras e os limites, ou melhor, o meio em que
vivemos, mudar.
Por receio de tocar em problemas emblemáticos de maneira
inovadora, o ser humano vai deixando tudo como está. Este desleixo com o
novo e a incapacidade operacional nos remetem a
uma escuridão egípcia, onde tudo sugere estar perfeitamente no lugar.
Ser um
revolucionário, apresentar idéias novas e ter atitudes que quebrem a
rotina é uma tarefa árdua, principalmente no campo profissional. Aquele
que pretende inovar algo que há anos funciona como paradigma precisa ser
mais do que um bom vendedor. É necessário ter a paciência de um monge,
explicar tudo de forma lenta e calculada, fazendo com que as perguntas
pareçam já respondidas de antemão.
Muito se pede nos cursos de comunicação para que os novos
jornalistas evitem o lugar comum. Mas a teoria não funciona na prática. O
jornalista que de fato evita o lugar comum se torna persona non grata nas
redações e muitas vezes é mandado às favas por não ser um embutido e
adquirir problemas jurídicos. Mas o medo de quebrar o paradigma fez com
que, por exemplo, o jornalismo fosse pego de surpresa pelas denúncias que
deram origem à crise do mensalão.
O jornalista investigativo Greg Palast foi preciso ao
parafrasear o também jornalista Gay Talese, autor do livro Fama e
Anonimato. Segundo Palast, para quebrar um paradigma o jornalista precisa
ser mais do que um serendiptoso (descobrir coisas que não procura),
necessita ser adepto do estilo "outsider", ver o
mundo com ceticismo, contrariando os cursos ministrados em faculdades e as
rotinas das redações que exigem do profissional uma atitude sistemática.
Somente seguindo a linha de raciocínio de
Palast alcançaremos a velha máxima dita por
Finley
Peter Dunne: "a função do jornalista é confortar os aflitos e afligir os
tranqüilos".
Desta forma este escriba brasileiro conclui
esta
poranduba (notícia em
tupi-guarani)
com a certeza de que nas descobertas existem muitas semelhanças e que aos
infligidores dos paradigmas restam os fados de serem considerados por toda
humanidade: gênios e rabugentos.
*Rodrigo
Marinheiro é cronista e comentarista esportivo da Boa Vontade TV e da
Super Rede Boa Vontade de Rádio
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