Edição 138- Aracaju, 13 de junho a 11 de julho de 2010
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  entrevista
Kito Junqueira
"Todo ator é um formador de opinião"

Por Rodrigo Marinheiro*
Foto: Divulgação

É utópico, mas seria perfeito que todos os brasileiros compreendessem a seguinte frase do ativista político sul-africano Steve Biko: “A mais potente arma do opressor é a mente do oprimido”. O Brasil vive um período de mudanças. O filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso alertava que “não existe nada permanente, exceto a mudança”. Assim é seu xará, o ator Heráclito Gomes Pizano, popularmente conhecido como Kito Junqueira (ao lado, em cena da peça "Desencontros clandestinos"). Paulistano da zona norte da cidade de São Paulo, Kito é um dos atores mais versáteis e um dos políticos mais competentes do Brasil. Apaixonado pela verdade e pela justiça desde garoto, prestou vestibular de jornalismo, mas trancou a faculdade para seguir a carreira artística. Afinal, como disse o escritor norte-americano Richard Carlson: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”.

Kito Junqueira é assim, e por isso foi eleito Deputado Estadual logo na primeira campanha em que saiu candidato, no ano de 1994. O renomado artista leva a sério a seguinte frase articulada pelo sexto presidente da história dos Estados Unidos, Abraham Lincoln: “A maioria das pessoas é tão feliz quanto decide ser”. Por isso Kito Junqueira é um vencedor em tudo o que faz. Após anos afastado da política nacional, Kito Junqueira tomou como base o alerta do político e orador romano Cícero quando bradou que “quem não contesta o mal o favorece”. Por isso Kito Junqueira é candidato mais uma vez.

Chamo a atenção dos leitores para que prestem atenção no pingue-pongue abaixo, pois o cientista, político e filósofo norte-americano Benjamin Franklin já nos avisou que “quem vive só de esperanças morrerá de fome”. É preciso mais do que esperança, é preciso mudarmos a estrutura política e corrupta que se instaurou no Brasil, elegendo pessoas do bem para fazerem o bem. Nosso país precisa de pessoas dispostas a trabalhar duro e fazer menos acordos. Descubra na entrevista abaixo porque Kito Junqueira sairá novamente Deputado Estadual neste ano e porque somente gente de bem faz política pública. 

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BN - Como iniciou sua carreira de ator?

Kito Junqueira - Eu comecei minha carreira pela Escola de Arte Dramática da USP. 

BN - São 35 anos de carreira. Você se recorda de quantos trabalhos já realizou?

Kito Junqueira - Eu participei na televisão em 25 novelas ou um pouco mais... Mais de 30 especiais, três mini-series e uma série que foi meu último trabalho até então, com enorme sucesso, que foi “A Lei e o Crime”. Fiz uns quatro ou cinco Longas Metragens e 23 peças de teatro. Nunca produzi cinema, mas produzo Teatro desde 1981. Já ganhei 15 prêmios e também sou diretor. Ah, já fiz também algumas campanhas publicitárias. 

BN - Por que você, um ator consagrado, resolveu entrar para a política se candidatando a Deputado Estadual em 1994?

Kito Junqueira - Bom, todo ator é um formador de opinião e eu particularmente sou muito inquieto, minha insatisfação com a política no nosso Brasil é grande e eu acho que todo cidadão de bem tem que tomar lugar dos corruptos e fazer alguma coisa. Se não fizermos isso, não adianta reclamar depois. 

BN - Você fez um bom mandato?

Kito Junqueira - Sim, tenho absoluta certeza de que fiz um bom mandato. Ganhei 21 títulos de cidadão em 21 municípios por serviços prestados a comunidade. 

BN - Qual a melhor Lei aprovada que você apresentou?

Kito Junqueira - Sou autor da Lei do Meio Ambiente aprovada por unanimidade pela Assembléia Legislativa de São Paulo e sancionada pelo então Governador Mario Covas em 1996. É uma Lei que entrou no Iso 2000. 

BN - Você foi um Deputado Estadual diferenciado e por isso recebeu muitas ameaças de morte. Conte-nos um pouco sobre elas.

Kito Junqueira - É que eu fiz várias denúncias, inclusive de compras de votos e algumas "cositas mas". Na real? O povo brasileiro precisa exercer sua cidadania, mas isso é um trabalho que passa pela educação e 80% dos políticos só falam e nada fazem. 

BN - Já se passaram dez anos desde o término do seu primeiro mandato. Quais os motivos que o levaram a voltar para a política? Não tem medo de sofrer novas represálias?

Kito Junqueira - Medo? Não, não tenho. Vivemos isso sim com medo de sair na rua, e voltar para política acho que respondi acima. Cansei da mesmice, da política que está sendo praticada etc... 

BN - Você é uma das pessoas mais capacitadas para falar de cultura. Como você observa o incentivo à cultura no Brasil?

Kito Junqueira - Nessa área nós avançamos bastante. Agora, falta mais vontade política das empresas privadas investirem pra valer na cultura de um modo geral. Eu cito, por exemplo, a máquina que é a indústria do entretenimento nos Estados Unidos e na Europa. O que é curioso é que são as mesmas empresas, mas aqui ainda estão devendo. 

BN - A educação é o pilar de uma sociedade justa?

Kito Junqueira - Sem educação não há crescimento de fato numa nação. 

BN - Muitos falam em preservar o meio ambiente, mas apresentam somente idéias vagas. É possível instalar uma política ambiental no Estado de São Paulo, mesmo considerando a emblemática poluição gerada pela capital?  

Kito Junqueira - É muito mais fácil e barato do que as pessoas imaginam. Falta vontade política e uma administração séria. 

BN - Combater a corrupção é uma bandeira muito usada pelos considerados políticos de carreira. A população pode acreditar no que eles falam?

Kito Junqueira - É só ouvir um discurso e olhar a realidade do dia-a-dia. O Brasil é o país dos impostos, e o que temos de retorno? Mudar? Depende do povo. As urnas estão aí. 

BN - Deixe uma mensagem para nossos leitores.

Kito Junqueira - Que não vendam o seu voto, que briguem pelos seus direitos e não se acomodem. O exemplo vem do povo. Analisem e conheçam a história de seu candidato. Caso quisermos de fato mudar o que aí está, então precisamos mesmo tomar um atitude, sincera, honrada, com coragem e muita responsabilidade. Um abraço e fiquem com Deus.

*Jornalista pós-graduado em Comunicação Jornalística pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou como assessor de imprensa na Prefeitura de São Paulo (2002, 2003 e 2004) e repórter investigativo da TV Globo (2006) e TV Record (2007, 2008 e 2009).  E-Mail: rodrigomarinheiro@hotmail.com