Edição 115 - Aracaju, 06 de julho a 03 de agosto  de 2008
_______________________________________________________________________________________________________________


 

  viagem
Uma Europa diferente
Associada a conflitos políticos, a região dos Bálcãs oferece riqueza histórica e belas paisagens

Texto e fotos Paulo Rogério Nunes*

(Continuação de 2)

A Bulgária é um belíssimo país que tem o privilégio de ter acesso ao Mar Negro e tem  "somente" 7.000 anos de história. O governo búlgaro está investindo pesado em marketing turístico, para aumentar o potencial econômico local. Apenas nos anos de 2006 e 2007 recebeu cerca de 15 milhões de visitantes, que gastaram mais de quatro bilhões de euros.

Depois de entrar na União Européia, a Bulgária tem recebido muitos investimentos estrangeiros (o crescimento foi de 6,2% em 2007). Após décadas sob o sistema socialista, agora  desfruta de um boom capitalista. Lojas, shopping centers, boates, shows e muita publicidade.  Vale dizer que na época da ex-Iugoslávia a economia Búlgara era sinônimo de piada, pois os Iugoslavos estava bem à frente em termos econômicos. Hoje os ex-países iugoslavos (com exceção da Eslovênia) vêem com certa "inveja" a crescente prosperidade do ex-vizinho pobre.

Apesar dos problemas sociais que se agravam à medida que a Bulgária entra na dinâmica do capitalismo internacional, o país tem desenvolvido bastante sua indústria e conta com uma moderna infra-estrutura turística, que faz inveja a seus vizinhos balcânicos (com exceção da Grécia e Turquia, é claro). A cidade de Sofia, capital do país, faz parte da rota dos grandes shows internacionais e possui uma série de monumentos históricos que atraem milhares de turistas todos os anos. Um exemplo é a Catedral Alexander Nevisk, construída em 1882, é considerada um dos principais símbolos da cidade. Visitá-la foi um dos momentos mais emocionantes  durante a minha estadia em Sofia.

Na Bulgária, 82% da população professam o cristianismo ortodoxo - em minha vida nunca ao adentrar um templo religioso pude sentir tanta paz. Lá, diferente das igrejas católicas, não há tanto ouro e imagens nas paredes, as igrejas em geral são mais simples, apesar de manterem lindos painéis com a imagem de Cristo (que para eles não é loiro, uma dedução no mínimo lógica)  e de santos, a exemplo de São Nicolau (que deu origem ao nosso Papai Noel). Assim como no Brasil, Cosme e Damião são muito populares nos Bálcãs, e no dia deles há festividades e distribuição de doces para crianças. Eles só não fazem caruru, é claro.

Além dos monumentos históricos e da vida noturna, a Bulgária conta com um litoral, o famoso Mar Negro, uma preciosidade excêntrica dos Bálcãs.  Em termos de estilo de vida, o búlgaro é discriminado pelos vizinhos por ser um tipo um pouco estranho. Isso se dá em parte pelas posições ambíguas nas guerras e pelo fato de terem alguns sinais de comunicação verbal diferentes. Apesar disso, a Bulgária medieval foi o mais importante centro cultural dos povos eslavos no final do século IX e por todo o século X e são considerados os inventores do alfabeto cirílico, embora haja controvérsias.

Turquia

A Turquia é o país mais asiático da Europa. Também situado na península balcânica, exerce uma forte influência política e econômica na região e desfruta de uma posição privilegiada por ter literalmente metade do seu país em solo europeu e metade em solo asiático, num território de 5,6 milhões km². Essas vantagens foram conquistadas, é claro, como fruto de constantes batalhas, genocídios e pela herança do bélico império Otomano, que durou até 1922. O antigo império estendia-se desde o estreito de Gibraltar, a oeste, até o mar Cáspio e o golfo Pérsico, a leste, e desde a fronteira com as atuais Áustria e Eslovênia, no norte, até os atuais Sudão e Iêmen, no sul.

A Turquia, que também pleiteia espaço na União Européia, teve sua entrada negada por ainda cometer crimes contra os direitos humanos (em especial com a minoria de curdos e o não reconhecimento do genocídio dos armênios no início do século passado). Um outro fator é por não ter ainda reconhecido a República de Chipre – as tropas turcas ainda ocupam o norte do país.

Apesar dos problemas evidentes na política nacional e internacional, a Turquia é uma república democrática, multipartidária e secular, com cidades prósperas como Istambul e Ancara e com crescimento acelerado na política macroeconômica. A moderna Turquia foi fundada por Mustafa Kemal Atatürk, considerado herói nacional, e que fez reformas fundamentais para o desenvolvimento do país, como a separação da igreja do Estado. Atatürk é considerado o "pai dos turcos".

Um ponto de destaque na Turquia são as belezas naturais e os sítios históricos. Cidades como Istambul (ex-Constantinopla) e Tróia já dizem por si só o nível de importância para a história mundial que o atual território da Turquia possui. Ainda para os que gostam da história do cristianismo, as principais igrejas do Apocalipse estão naquela região, como as de cidades como Éfesus e Laodicéia. Vale ressaltar uma curiosidade: apesar da importância histórica para o cristianismo, a Turquia é majoritariamente Mulçumana (cerca de 90%). Só em Istambul existem aproximadamente 1.000 mesquitas. 

Na próxima edição escreverei mais sobre a Turquia e sobre minhas visitas à Grécia e parte da Macedônia.

*Publicitário e especialista em Política e Planejamento Estratégico. Viajou aos Bálcãs para participar de um programa de intercâmbio profissional sobre Responsabilidade Social, promovido pela organização AIESEC.  Mora em Salvador. E-mail: rogerio@midiaetnica.org

1 | 2 | 3