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retrato Marchand e restaurateur O exemplo de um sensível cidadão Texto e foto: Romildo Guerrante*
Diógenes Paixão é mineiro de Carangola, mas vive no Rio há muitos anos, há pelo menos 30 anos no bairro de Santa Teresa, onde cultivou muitas amizades e conhece cada um e cada canto. Funcionário aposentado do Banco do Brasil, acabou virando marchand, graças ao amor pela arte e às inúmeras amizades que fez nesse meio. Aos poucos, foi concentrando sua atenção nas obras de um só artista, Alfredo Volpi, de quem foi amigo, tornou-se colecionador e hoje expõe constantemente em todos os espaços que se oferecem as mais de 50 telas que enfeitam sua casa, maioria da fase geométrica do pintor ítalo-brasileiro. Também por isso, as feijoadas que montava em casa eram um sucesso para os amigos desde que aportou no Rio. Pois essa feijoada foi a primeira coisa que Diógenes transplantou para o antigo Bar da Rosa, também em Santa Teresa, um sonho antigo de ter um botequim. Comprou o bar há 15 anos com a venda de quatro quadros de Volpi. A feijoada faz sucesso até hoje, e serve ainda de recheio para os deliciosos pasteis que acompanham a cerveja sempre gelada no que hoje se tornou o Bar do Mineiro, um pé-limpo cuja freqüência, transformada de cachaceiros em degustadores, mudou a qualidade do que se servia, mudou os banheiros, mudou a atenção, a decoração tomou outro rumo. Frequentado por artistas, turistas – e até mesmo por moradores, que se sentem meio marginalizados na febre em que se tornou o bairro -, o Bar do Mineiro é decorado singelamente com artesanato local, fotos de amigos e reproduções das mil matérias que já saíram em tudo quanto é tipo de publicação para falar do novo point da cidade. Mas o sucesso não mudou a rotina desse sensível cidadão que amanhece na porta do seu bar, exceto às segundas-feiras, de pá e vassoura na mão para limpar o estrago feito na véspera por seus frequentadores. E limpa até a canaleta dos trilhos dos bondes, entupida de um dia para o outro com tampinhas de garrafa, maços de cigarro, guimbas e muita coisa não identificada. Ele chega sempre antes dos garis da prefeitura. E os garis oficiais torcem para que esse gari vocacional de amplo espectro artístico não falte. E que o exemplo dele prolifere, para que o trabalho pesado dos encarregados da limpeza seja menos duro. Diógenes, mineiro, é na verdade um carioca que ama sua cidade, e que jamais a abandonaria para viver, por exemplo, em Nova York ou Paris, as duas cidades que mais visita e mais admira. *Jornalista, editor da revista Bio. E-mail: romildo.guerrante@gmail.com |