Edição 141 - Aracaju, 05 de setembro a 03 de outubro de 2010
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  turismo
Riqueza do pescado
Os frutos do mar são os reis do mercado central de Santiago do Chile

Texto e foto: Romildo Guerrante*

O Mercado Central de Santiago do Chile é isso que os redatores de turismo costumam dizer: visita imperdível.  Realmente, é um belo prédio, construído em 1868 para ser uma estação ferroviária, função que nunca cumpriu. Pelo jeito, felizmente. Mas o mais gostoso desse mercado, além da bela arquitetura montada em estruturas de aço inglês, é embarafustar por suas vielas, conversar com os peixeiros e verdureiros, sentir o cheiro das frutas, verduras e também do pescado fresco que chega quase todo dia, para encanto dos moradores da cidade, que têm o hábito saudável de comer peixe toda semana.

Claro, um lugar como esse também tem aporrinhações. É preciso fugir dos agenciadores de restaurantes. São piores que os nossos flanelinhas em suas táticas de convencimento. Chegam a agarrar as pessoas pelos braços para levá-las à mesa de pasto, onde se pode cobrar US$ 200 por um prato de centolha, o grande caranguejo vermelho que chega a pesar dois quilos – e que se torna cada vez mais raro com o aumento do consumo e a intensidade da pesca. Bobagem pagar tanto. Nos bons restaurantes da cidade a centolha inteira pode ser encontrada até por US$ 17.

E, para quem acha o bicho muito estranho, com suas imensas patas que podem chegar a meio metro de comprimento, que tal um congro rosa? Peixe de sabor delicado, já é pescado no litoral de Santa Catarina, talvez devido às mudanças climáticas, as mesmas que trazem pinguins da Patagônia para passear em Ipanema. E a raineta, outro peixe que encanta pela delicadeza do sabor.

Mas os frutos do mar são os reis das bancas do Mercado Central, e chegam naturalmente em profusão aos restaurantes, mesmo os mais modestos.  Locos, machas  e uma variedade imensa de mariscos, especialmente os enormes mexilhões, fazem a festa dos olhos de quem vai lá só pra passear. Mas que pode ser convencido a sentar-se para uma garrafa de um dos muitos excelentes vinhos produzidos aqui.

Se o almoço demorar muito e for um dia de sol, a vista na saída é chocante, porque lá no fundo, impassível, a Cordilheira dos Andes coberta de neve nos espia sobre o Cerro San Cristóbal e nos convida a voltar logo, logo.

*Jornalista carioca, editor da Revista Bio. E-mail: romildo.guerrante@gmail.com