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Jornalismo
Sindijor, nova
fase
Por
Rafael Heleno*
Eleito
presidente do Sindijor – Sindicato dos Jornalistas – em agosto deste
ano, o jornalista José Cristian Góes assumiu a gestão no dia 8 de
setembro, comemorando também seu 10° ano de atividades no jornalismo
sergipano. O primeiro contato com essa atividade se deu em 1990, quando
Cristian ingressou no curso de Comunicação Social da antiga Faculdade
Integrada Tiradentes. Mas, desde o período colegial, já demonstrava
interesse em jornais, revistas e televisão.
Durante
o curso, teve oportunidade de estagiar na tevê e rádio Aperipê e em um
jornal de curta duração, intitulado Hora Certa. Por último, no
jornal Cinform, onde estagiou e posteriormente foi integrado,
atuando durante nove anos como repórter e editor de área. Nesse mesmo
período, foi assessor de imprensa do Simpese – Sindicato dos
Professores do Estado de Sergipe e repórter free-lancer da revista IstoÉ.
No
Simpese Cristian Góes aprendeu a trabalhar como assessor de imprensa, sua
grande faculdade, ao lado do Cinform. O trabalho desenvolvido
nesses dois segmentos lhe rendeu em 2001 o convite para atuar na
diretoria de imprensa da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de
Aracaju. Em maio do mesmo ano, assumiu como secretário interino, sendo
logo promovido a titular.
Em
janeiro de 2003, o jornalista se afastou da Secretaria. O principal motivo
teria sido um convite para assessorar a Deputada Estadual Ana Lúcia, do
PT, com
quem já havia trabalhado por um longo período no Sindicato dos
Professores do Estado. Seu último feito ocorreu em 2004, quando foi
eleito com facilidade à presidência do Sindijor, durante um processo de
eleição bastante tumultuado. Leia a seguir a entrevista com Cristian
Góes.
***
BN - Qual
o período de mandato do Sindijor e pode haver até quantas reeleições?
Cristian
Góes - São três
anos de mandato com possibilidade de reeleição quantas vezes o candidato
for reeleito, assim prevê o estatuto. Apesar de que é um compromisso
nosso reformular o estatuto do Sindicato, que é antigo e cheio de erros e
queremos colocar apenas a possibilidade de uma reeleição. Hoje, eu
inclusive diria que não sou candidato à reeleição. Minha tarefa
nesses três anos é reconstruir o sindicato e deixá-lo em boas condições
para outras pessoas tocá-lo.
BN – A pouco
mais de dois meses, a nova chapa assumiu as funções do Sindijor, em um
processo de eleição tumultuado. O que pode ser dito sobre esse período?
CG
- Foi um período tumultuado porque a pessoa que estava aqui é
completamente insana, e a gestão dele causou um malefício terrível ao
jornalismo sergipano e vai ser difícil se recuperar em um curto espaço
de tempo. Nós encontramos o sindicato 100% falido, nós encontramos uma
receita de R$ 600,00 e um débito já vencido de R$ 2.800,00. Era uma
situação de falência completa.
BN – Diante
desses problemas, nesses primeiros meses que a chapa assumiu o sindicato,
como vê a credibilidade perante a categoria, considerando o trabalho
desempenhado nos anos anteriores?
CG
- A categoria está afastada e isso é muito natural, diante de um
presidente aqui sem compromisso, que nunca se sentiu representante da
categoria, como também os jornalistas nunca se sentiam representados por
ele, e por isso abandonaram o sindicato. Eu lembro que quando o presidente
convocava – uma vez ou outra – alguma assembléia, e nós que fazíamos
oposição aparecíamos, ele ficava completamente transtornado, pois
estava só. Por exemplo, se eu aparecesse com duas pessoas já era
maioria, sendo dois votos contra um. De setembro para cá, nós temos, aos
poucos, mas com muita firmeza, procurado resgatar um pouco da
credibilidade do Sindijor. Em nossa campanha a gestão dizia que nossa
chapa era de reconstrução do sindicato e na verdade não é isso, e sim
construção, porque não existia nada para todos os efeitos. Agora é que
está existindo sindicato.
BN – Fale um
pouco sobre a implantação de projetos que beneficiam os jornalistas.
CG
- Nós temos muitos projetos, alguns inclusive com os pés no chão.
Elegemos três ângulos de trabalho, primeiro administrativo e financeiro,
que se baseia em resolver as pendências gerenciais do sindicato, como
pagamento de funcionário, 13.º salário, férias, entre outras pendências.
O dinheiro que entrava era pouco, mas dava para suprir, o problema foi ter
sido desviado para outros fins. Outro ângulo é de combate contra o exercício
ilegal da profissão, que é muito grave. Não estamos mais brincando com
essa questão, a pessoa que for flagrada, cometendo exercício ilegal,
receberá um processo por faculdade ideológica.
BN
– Quanto aos estagiários, existe alguma proibição?
CG
- O estagiário, ou seja, o estudante de jornalismo, têm uma relação
melhor. Temos um acordo coletivo para estagiários com algumas
possibilidades, por exemplo, uma empresa só pode ter 10% de estagiários
em relação ao número de profissionais, ou seja, se uma empresa tem 10
ou menos jornalistas, um estagiário. Caso haja 20 jornalistas, o número
já sobe para 2 estagiários. Outra coisa, o estagiário tem de ser
acompanhado pelo professor e ter 60% dos créditos cumpridos, numa jornada
de trabalho de até 4 horas. A nossa legislação diz que estágio em
jornalismo é proibido, isso faz parte de um acordo entre o sindicato e a
classe patronal para possibilitar os estágios.
BN – Faz parte
das atividades do Sindijor coibir de alguma forma os veículos que não
pagam o piso vigente aos jornalistas?
CG
- A informação que nós temos é que nenhum veículo regular em Sergipe
paga menos que o piso. No último dia 10 de outubro, nós tivemos uma
assembléia e isso foi reforçado, porque antes o Sindicato não tinha
assessoria jurídica e hoje tem. E ela está pronta a agir quando não
estiver sendo cumprido o piso salarial, que é o menor do Brasil, uma
vergonha para os donos de jornal e para nós jornalistas. O piso hoje está
estipulado em R$ 633,00. Em janeiro iremos discutir as questões
trabalhistas e também o piso salarial. Vamos pleitear um piso de R$
900,00. Para isso estamos nos organizando e temos feito estudos, vamos
fazer uma grande campanha na Sociedade com outdoors, camisas e panfletos.
Iremos dizer à sociedade que os donos dos veículos de comunicação
ganham muito dinheiro em Sergipe, estão sempre melhorando suas estruturas
físicas e o jornalista, verdadeiramente profissional, não está sendo
recompensado.
BN – Ter sido secretário de Comunicação da Prefeitura foi de algum modo uma experiência
importante para a realização desse trabalho no sindicato?
CG
- Sem dúvida, como Secretário ampliei meu leque de conhecimento, sendo
fundamental inclusive para chegar ao Sindicato. Apesar da polêmica, nós
chegamos aqui em uma situação muito boa e confortável. Se tem uma pessoa que conhece bastante o dia a dia do nosso
jornalismo sou eu. Sou o primeiro presidente da história do sindicato a
ter nível superior. A experiência no jornal Cinform, Simpese e na
Secretaria de Comunicação, foram fundamentais para tocar o sindicato.
Hoje, as condições são complicadas porque existem dificuldades
estruturais. Um exemplo, a primeira edição do nosso jornal que só foi
possível porque conseguimos uma publicidade na Secretaria Municipal de Saúde.
Mas entre todos os problemas, pelo menos hoje o sindicato não é omisso e
vai atuar fortemente, sentando-se à mesa de negociação para discutir
salário, condição e mercado de trabalho com a classe patronal no mesmo
nível.
BN - Além do
acordo para estágio, existem outras ações que beneficiam os estudantes?
CG
- Já começamos, constituímos uma comissão permanente para assuntos
estudantis, que já fez sua primeira reunião. É composta por dois
estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Sergipe e outros dois
da Universidade Tiradentes.
BN
– Por que você resolveu encarar esse novo desafio?
CG
- Chegamos a um ponto que ninguém queria o abacaxi, então, iríamos
deixar novamente na mão de Enoque Araújo? Não era possível, inclusive
inadmissível. Vemos as empresas crescendo, os patrões se desenvolvendo,
aumentando o patrimônio e o jornalista cada dia pior. Nem precisamos
comparar nosso piso com o de centros como Rio e São Paulo, basta ir aqui
em nossos dois vizinhos, Bahia e Alagoas, esse foi o ponto principal de
ter encarado esse desafio, ou se tenta organizar um sindicato para
conseguir melhores dias para a categoria ou estamos falidos, não tem como
continuar aceitando essa situação.
BN – Qual a
posição do sindicato perante a criação do Conselho de Jornalistas,
pelo governo federal, o sindicato aprova o modo como está sendo proposto?
Existe algum conflito entre os Sindicatos de jornalismo com aquilo que o
Conselho prega?
CG
- Primeiro, o tema do Conselho tem alguns aspectos que nós discordamos
profundamente. Critica o que
fazemos e quanto à proposta do conselho, que tem um texto muito ruim. Eu
tive a chance na Assembléia de conhecer um pouco sobre legislação, e se
trata de uma lei completamente subjetiva. Eu, particularmente, sou a favor
do Conselho, mas não do modo que está sendo implantado. Na verdade, o
que defendo mesmo é o fortalecimento do Sindicato. O Conselho atende
apenas a um item de nossa pauta, que se baseia no combate ao exercício
ilegal da profissão. Conselho não vai se envolver com salário, com
mercado e condição de trabalho. Quem vai sentar-se à mesa de negociação
com a classe patronal é o Sindicato. Outro ponto, se o Conselho fosse
aprovado da forma que saiu, o Sindijor fecharia. Ninguém vai deixar de
pagar uma taxa obrigatória, anual e cara para se trabalhar, porque se não
for assim, não há possibilidade para se pagar o sindicato que é um ato
de adesão política voluntária. O projeto é muito ruim, agora, quanto a
causar censura é mentira. Isso parte da classe patronal, principalmente dos grandes veículos, que perceberam que no estabelecimento do
Conselho há
uma possibilidade concreta de regulamentação da profissão. O que
acontece é que os grandes veículos não querem pagar por isso, não
querem direitos trabalhistas e nem contar com ações de trabalho, mas sim explorar o máximo possível. A censura foi uma espécie de plano de
fundo, uma cortina de fumaça, na verdade, para encobrir um processo de
ataque aos direitos trabalhistas. Agora, outra critica é que o conselho não
vai resolver questões trabalhistas, quem atua nessas questões é o
sindicato.
Talvez
nos grandes centros que possuam grandes sindicatos com o estabelecimento
do Conselho permaneçam ambos. Mas em Sindicatos como o nosso! E ainda
existe outro grave perigo, imaginem um Enoque da vida, sendo presidente do
Conselho Regional de Jornalismo em Sergipe, o que pode acontecer para essa
categoria? Seria um perigo muito grande. Por isso somos favoráveis a um
combate rigoroso contra o exercício ilegal da profissão, mas se essa
luta vai se estabelecer através do Conselho, já é uma outra questão.
BN – Que
mensagem final o presidente deixa para os leitores desta entrevista?
CG
- A primeira coisa é que a gente está vendo uma luz no fim do túnel.
Confesso que há seis meses a situação era desesperadora, porque
não havia sindicato e do outro lado uma classe patronal que deita e rola.
Com a chegada dessa nova gestão ao Sindijor, estamos tentando a passos
lentos construir uma outra história de busca pelo respeito profissional,
o jornalista sergipano merece ser respeitado.
Então,
queria dizer aos leitores, especialmente aos jornalistas
que estão sendo convidados para estágio, ou os que estão deixando a
faculdade para o mercado de trabalho, que percebam a importância da
atividade do sindicato. E que não saiam da faculdade e mergulhem de cabeça
no mercado de trabalho, reproduzindo o que os nossos colegas há muito
tempo vem fazendo, que esses jornalistas cheguem com uma nova visão no
mercado de trabalho.
*Estudante
de Jornalismo da Universidade Tiradentes(SE)
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