Edição 106 - Aracaju, 07 de outubro a 11 de novembro de 2007
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  cultura
 
A periferia brilha
Nos bairros pobres de Aracaju, grupos artísticos mostram talento e disposição para vencer as dificuldades

Texto: Zezito de Oliveira*
Fotos: Caravana Arcoíris

Quem foi ao Gonzagão na noite do sábado, 28 de setembro, teve uma grande surpresa com a beleza da diversidade da produção cultural da nossa juventude. Pelo palco principal, tablado da pista de dança e palco do espaço Gonzaguinha desfilaram cantores, grupos musicais, grupos de dança, teatro de bonecos e quadrilhas juninas: Grupo Musical Luzeiro do Orerê, Companhia de Dança Rick di Karllo, Teatro de Bonecos, Projeto Arte Cênica na Escola, Grupo de Dança Balangudango, Grupo Popular de Dança Asa Branca, Samba Inocente, Quadrilha Junina Asa Branca, Quadrilha Junina Luiz Gonzaga, Forró Só Mais Eu, Galera do Ghetto, Grupo Break Boys, Minho San Liver, Ilânio Oliveira e Forró Pé de Serra, além de artesãos que expuseram os seus produtos em uma área reservada para esse fim.
 

Os artistas/educadores da Caravana Internacional Arcoiris por La Paz, atualmente hospedados no espaço, coordenaram um ritual de abertura saudando a diversidade cultural dos povos que habitam o planeta, acompanhado de um canto indígena que celebra os quatro elementos que nos proporcionam viver como ser vivo: O ar, a terra, o fogo e o ar, além da bela projeção de algumas imagens coletadas pela Caravana em diversos lugares, em sintonia com movimentos de expressão corporal das bailarinas do grupo Balangudango e o fundo musical, composto pelas músicas pacifistas do grupo musical Luzeiro do Orerê.

Entre os aspectos que mais chamaram a atenção, destacamos o fato de uma parcela expressiva dos artistas e grupos terem pouco tempo de organização e de ensaios e alguns, mesmos os mais antigos, terem tido poucas oportunidades para se apresentar em espaços com a qualidade da estrutura oferecida pelo Gonzagão. E a maior surpresa foi exatamente essa: a excelente performance da maioria dos novatos.

E um dos maiores motivos de grande satisfação foi exatamente o entusiasmo e vibração do público, algo em torno de 600 pessoas, na hora da apresentação de diversos grupos, em especial o Samba Inocente, o qual mobilizou um grande número de admiradores oriundos do bairro Santa Maria, local onde mora a maioria dos seus integrantes.

 


Outra marca importante do evento foi a organização coletiva através do Consórcio Cultural do Conjunto Augusto Franco e Adjacências que reuniu representantes de diversos grupos que, em alguns casos além do envolvimento como artistas, participaram também como produtores.

Esse modelo de gestão garantiu o comprometimento de agentes culturais da comunidade, repercutindo na divisão e aprendizado das tarefas e rotinas de serviço, observado de forma positiva por um especialista em políticas públicas para inclusão, o que além do sucesso atual, conseqüentemente garantirá a possibilidade da realização de outras ações culturais, independente do humor dos gestores públicos de plantão.

 


Agindo dessa forma acreditamos que será evitado o que aconteceu em anos recentes, quando a comunidade ficou culturalmente debilitada por causa da falta de vontade política do poder público em promover e/ou incentivar a realização de eventos semelhantes à III Mostra Cultural, o qual já tinha sido realizado através da iniciativa de artistas e grupos culturais da comunidade em anos anteriores, utilizando as estruturas da Igreja Católica como apoio.

E foi exatamente por isso que o formato da noite cultural foi escolhido para darmos início ao processo de visibilidade das ações de parceria público-comunidade, que é uma das diretrizes programáticas do planejamento das ações da Secretaria de Estado da Cultura, capitaneada pelo Professor Luiz Alberto.

Em termos conclusivos vale a pena registrar as palavras da coordenação da Quadrilha Junina Asa Branca, que deu uma expressiva contribuição para o êxito da III Noite Cultural. Em uma das reuniões preparatórias, afirmou:
“A data de realização da noite cultural é uma data para nos encontrar, comemorar sempre e deixar registrado em mossa memória como a noite da integração cultural do Conjunto Augusto Franco e Adjacências”.

E foi isso mesmo, confirmando as palavras do poeta Fernando Pessoa:
“Deus sonha, o homem quer, a obra nasce”.

*Diretor do Centro Cultural Gonzagão, em Aracaju. E-Mail: ongacaocultural@yahoo.com.br Publicado no originalmente no site Overmundo.